A 200 metros

A 200 metros

Ficha técnica


País


Sinopse

Morando, com sua mulher, Salwa, e três filhos, em duas casas, uma na Cisjordânia, outra em Israel, o palestino Mustafa é obrigada a manter uma rotina diária exasperante, por conta da situação entre os dois países. Num dia em que ele não conseguiu entrar em Israel, por conta de um cartão vencido, seu filho sofre um acidente. Ele se desdobrará de todo modo para conseguir passar pelo muro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/09/2021

Indicado para representar a Jordânia na corrida por uma indicação ao Oscar 2021, o drama A 200 Metros, de Ameen Nayfeh, respira uma urgência empenhada, que coloca o espectador na pele de seu protagonista, Mustafa (Ali Suliman, de Paradise Now). 
 
Casado com Salwa (Lana Zreik) e pai de três filhos, ele vive uma situação familiar esdrúxula, dividindo-se entre duas casas, uma de cada lado da fronteira/muro que separam a Cisjordânia e Israel. De um lado, está a casa de sua mãe idosa, do outro, a casa onde moram a mulher e os filhos, também o lugar onde Salwa trabalha e os meninos estudam. Operário da construção civil, Mustafa também deve deslocar-se diariamente pelo concorrido check point da fronteira. Não é possível optar, nem por um endereço, nem pelo outro. Para morar em Israel, ele teria que pedir a cidadania israelense, o que ele não quer. E não pode abandonar a mãe. 
 
Baseado em experiências pessoais do diretor, aqui estreando na ficção, o filme é um retrato vívido da situação insuportável destes palestinos, submetidos a toda espécie de inspeção e  burocracia - porque é preciso ter cartões e licenças de renovação constante - e também desaforos e desprezo, apenas para manterem uma rotina de trabalho e convívio familiar. 
 
A esta carga cotidiana se soma um drama - um dos filhos do casal palestino sofre um acidente e é internado no hospital, em Israel. Naquele dia, o pai não conseguiu passar pela fronteira, porque seu cartão estava vencido. O dilema permite expor uma rede clandestina de transportes pela fronteira, em vans que levam passageiros com estas urgências por um alto preço e sem garantias.
 
Na van em que embarca o angustiado Mustafa, viaja a precariedade da vida palestina, num negócio paralelo, explorado por homens que, como ele, se viram para sobreviver, uma necessidade que os coloca no limite da marginalidade, às vezes além dela.
 
De todo modo, o roteiro, também assinado por Nayfeh, coloca nesta van passageiros que iluminam outros aspectos de uma situação sempre no limite. Como o jovem Rami (Mahmoud Abu Eita), prestes a completar 18 anos, e à procura de emprego. Ou Kifah (Motaz Malhees), que está servindo de guia para uma cineasta alemã, Anne (Anna Unterberger), num projeto de filmar justamente a precária vida dos palestinos, que vivem em territórios cada vez mais invadidos por assentamentos judeus apoiados pelo governo de Israel. 
 
Com habilidade, o diretor/roteirista consegue delinear com precisão estes personagens, embalando sua acidentada jornada de um dia por perigos e tensões plenamente cabíveis, sem perder de vista as emoções embaralhadas dos envolvidos. É um filme maduro e envolvente, com ritmo, verdade e também espaço para a beleza - como no comovente ritual das luzes no terraço com que a família dividida se comunica à noite.

Neusa Barbosa


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