De volta para casa

Ficha técnica


País


Sinopse

Chang-Rae é um jovem escritor ascendente em Nova York. Porém, ele precisa parar sua carreira e voltar para a casa de sua mãe, em São Francisco, onde ela enfrenta uma doença terminal. Esse será o momento de acertar as contas com o passado, enquanto ela lhe ensina receitas coreanas tradicionais.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/09/2021

Wayne Wang é um diretor irregular em sua carreira – que conta tanto com Sem Fôlego e Cortina de Fumaça quanto como Encontro de Amor, uma história de Cinderela protagonizada por Jennifer Lopez. A boa notícia é que seu novo trabalho, De Volta Para Casa, está mais próximo do ótimo O Clube da Felicidade e da Sorte do que do equivocado As Férias da Minha Vida.
 
Partindo de um ensaio autobiográfico do escritor coreano-americano Chang-Rae Lee, publicado na revista The New Yorker, em 1995, Wang faz um filme sobre laços de família e identidade diante da morte inevitável. O filme abre com uma dica culinária: quando se corta uma carne. Esta não deve ser separada do osso, diz uma voz em off, pois assim, a riqueza do osso ainda se mantém na carne.Trata-se de uma metáfora precisa que já expõe toda a questão do filme:
 
Chang-rae (Justin Chon), um jovem escritor em Nova York, precisa dar um tempo em sua carreira e voltar para São Francisco, onde irá cuidar de sua mãe (Jackie Chung), que está com câncer. Novamente compartilhando a mesma casa, ela tem a oportunidade de ensinar ao filho receitas coreanas típicas. E o filme é basicamente isso. Porém, Wang é capaz de extrair uma profunda meditação sobre herança cultural e laços de família.
 
Este é um filme de silêncios, longos planos em que quase nada acontece, numa tradição que busca no japonês Yasujiro Ozu a sua referência, no sentido de construir um retrato a partir de elementos mínimos. A fotografia de Richard Wong é bastante sóbria e a câmera, praticamente o tempo todo parada, transmite um continuum da vida de mãe e filho, que se aproximam cada vez mais, apesar das circunstâncias.
 
A relação entre os dois, fraturada há anos, é novamente retomada nesses momentos finais dela. O que não quer dizer que o caminho seja fácil. Ela sempre foi muito independente e autossuficiente, mas seu corpo não é mais o mesmo. Assim, ela depende cada vez mais de ajuda para realizar suas tarefas. E todo o ressentimento e diferenças, que ficaram enterradas por anos, novamente vêm à tona com a convivência.
 
Imigrantes orientais nos EUA é um tema caro a Wang, sendo ele parte dessa comunidade. Em O Clube da Felicidade e da Sorte, ele parte do romance homônimo de Amy Tan para contar a história de duas gerações de mulheres – mães chinesas e suas filhas nascidas nos EUA –, investigando suas semelhanças e diferenças. Aqui, novamente, o tema da relação familiar é forte, assim como o a identidade de filhos de imigrantes.
 
Qualquer pessoa minimamente familiarizada com o cinema coreano sabe da importância da comida e das refeições para aquela sociedade. Aqui, é por meio da preparação de receitas que os laços entre Chang-Rae e sua mãe serão restabelecidos. Mais do que alimentar, a comida é uma espécie de força que une tanto as pessoas que a preparam quanto aquelas que a compartilham na mesa.
 
Apesar da narrativa partir do ponto de vista de Chang-Rae, são Chung e sua personagem – que no filme não tem nome, é só conhecida como “Mãe”- que se destacam. Atriz conhecida de séries de televisão como A Anatomia de Grey e Estação 19, ela tem uma performance exemplar num filme no qual tudo acontece por meio do não-dito, ou, quando falado, é quase um sussurro. O grande ganho – e muito disso se deve à presença da atriz – está no retrato que faz da figura materna. Longe de a canonizar, Wang, Chang-Rae e Chung dotam-na de complexidade e nuances, como um ser humano real, em oposição a uma figura idealizada em seus últimos dias de vida.

Alysson Oliveira


Trailer


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