Suk Suk - Um amor em segredo

Ficha técnica


País


Sinopse

Pak é taxista, casado, pai e avô. Tem 70 anos mas recusa a aposentadoria. Gosta de manter uma certa liberdade de movimento durante o dia, quando aproveita alguma folga para procurar outros homens. Hoi tem 65 anos, é aposentado e vive com o filho único, que ele criou sozinho, mais a nora e a neta. Pak e Hoi se apaixonam, mas não podem viver às claras este romance.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/09/2021

O terceiro longa do diretor de Hong-Kong Ray Yeung é um primor de sutileza para retratar a situação de gays idosos em seu país a partir da história de dois deles, o taxista Pak (Tai Bo) e o aposentado Hoi (Ben Yuen). Outro detalhe a uni-los: os dois têm famílias, filhos, netos, que são um impeditivo para que vivam livremente sua sexualidade.
 
A maneira como o filme, também roteirizado por Yeung, desenvolve suas diferenças, é notável para construir esse mundo específico, criando compreensão e empatia em histórias profundamente comuns, humanas. Pak tem 70 anos e recusa a aposentadoria, porque o táxi lhe permite uma certa liberdade de movimento, mantendo durante o dia a distância da casa familiar, que a mulher, Ching (Patra Au) comanda com eficiência e uma ponta de rabugice. Ela cuida de tudo, mas suas tarefas também estão diminuindo, agora que os filhos são adultos e estão se emancipando. O mais velho já casou e vive fora. Só falta agora casar Fong (Wong Hiu-yee), que já está chegando aos 40 anos, mas arrumou um namorado mais jovem, que a mãe desaprova..
 
Hoi, por sua vez, tem 65 anos, é aposentado, tendo criado sozinho seu filho único, Wan (Lo Chun Yip), depois de divorciar-se da mulher. Ele ainda divide o apartamento com o filho, agora casado, juntando-se aos dois a nora e a neta.
Pak e Hoi são dois pais e avôs amorosos, homens que, quando jovens, não poderiam assumir sua homossexualidade. Agora, na idade madura, encontram um ambiente social mais tolerante, que não pode apagar, no entanto, os laços familiares - que eles, aliás, prezam muito.
 
Os dois se conhecem num parque, um dos lugares onde Pak procura seus relacionamentos efêmeros. Depois de um estranhamento inicial, os dois se tornam amigos e amantes. Hoi tem mais experiência com ambientes onde os gays podem conviver à vontade, apresentando Pak a uma sauna gay, onde os dois compartilham momentos de intimidade - que a fotografia de Leung Ming-kai mostra com a mesma sutileza que o resto da história.
 
É notável a delicadeza e também a intensidade que o diretor consegue imprimir à sua história, sendo capaz de retratar com muita minúcia não só os ambientes familiares distintos de cada um de seus protagonistas como os espaços coletivos em que os gays se expressam e até defendem suas causas - como uma associação comunitária frequentada por Hoi e outros gays mais velhos, que no momento está empenhada na criação de uma casa de repouso para eles.
 
Tai Bo e Ben Yuen mostram-se dois intérpretes à altura de encarnar estas pessoas envolvidas em suas emoções e problemáticas, capazes de levantar um véu sobre uma questão complexa. Para eles, a liberdade para viver abertamente sua sexualidade implicaria num preço alto demais diante de suas famílias, o que demonstra que o preconceito certamente não acabou, apesar de todos os alegados avanços de tempos recentes.

Neusa Barbosa


Trailer


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