Mise en Scène - A Artesania do Artista

Ficha técnica


País


Sinopse

Diversos atores e atrizes falam sobre a arte neste documentário que faz referências a textos do poeta tcheco Rainer Maria Rilke (1875-1926).


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

31/08/2021

Diretora de diversos programas na rede Globo, Manuh Fontes estreia como cineasta no documentário Mise en Scène - A Artesania do Artista, em que alinha depoimentos de diversos atores e atrizes, relacionando-os com reflexões do poeta tcheco Rainer Maria Rilke (1875-1926) - este, uma fonte inesgotável de inspiração para qualquer pessoa que pense em arte ou na vida e cujos pensamentos são reproduzidos no filme pela narração de Glória Pires. 
 
Intérpretes como Zezé Motta, Antônio Fagundes, Camila Pitanga, Cássia Kis, Dira Paes, Marco Nanini e Gabriel Leone, entre outros, revelam memórias de infância para conectar-se a este estado de criança tão típico do ator, sempre em busca de um olhar novo para captar o sentido do mundo. Eles e elas falam como se apropriam de seus personagens, através de gestos, figurinos, sapatos, fotos, desenhos, da forma como compartilham o que fazem e esperam receber, como direcionam sua energia para desempenhar o que alguns consideram uma missão. Estar atento à beleza do mundo e encontrar um ponto intermediário entre o belo e o sinistro, sinalizando sua humanidade, afinal, é do que trata seu mister.
 
A maneira como estes intérpretes ocupam os cenários em que se inserem diz muito também sobre a forma como empunham seu corpo, ferramenta essencial neste ofício de ultra-exposição em que há o risco de perder a fronteira entre o ser humano e o personagem - perigo para o qual eles revelam suas defesas e formas de cura. Este recurso visual, que permite evitar a monotonia dos documentários com “cabeças falantes”, por outro lado eventualmente resvala numa tentação quase publicitária nesta busca de belas imagens - por exemplo, as cenas da atriz Maytê Piragibe numa praia. Este pequeno reparo, no entanto, não retira força do filme, que extrai sua potência das palavras de tantos intérpretes empenhados em seu ofício e na literatura apaixonada de Rilke. 
 
Não falta uma discussão, mais do que bem-vinda em tempos sombrios, sobre a tensão inconciliável da arte com a tirania, que procura suprimi-la, assim como à educação, para estrangular a imaginação. Ledo engano, esse dos ditadores. Afinal, a cultura fica, porque a arte é mais forte do que as botinas e os fuzis e sobrevive como uma imortal infância, dentro de nós, como quem, parafraseando Rilke, não sabendo que há já um mundo, se proponha sempre a fazer um.  

Neusa Barbosa


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