Bagdá vive em mim

Ficha técnica


País


Sinopse

Taufiq é um velho poeta iraquiano, exilado há muito em Londres, depois de ter sido preso e torturado no regime de Saddam Hussein. No café Abu Nawas, ele se encontra com outros membros da comunidade iraquiana, num ambiente alegre e relaxado. Mas, numa mesquita a pouca distância, um imã está radicalizando os jovens, inclusive o sobrinho de Taufiq, Nasseer.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/08/2021

O exílio é assunto que o diretor, roteirista e produtor iraquiano Samir, 66 anos, conhece muito bem. Desde a infância, ele e os pais moram em Zurique, onde ele desenvolveu sua carreira, sem nunca perder o contato com suas raízes. Suas memórias estão profundamente radicadas no centro da história de Bagdá vive em mim, um drama que revisita os dilemas e alegrias de um grupo de iraquianos e seus descendentes, radicados em Londres.
 
Nem todas as lembranças do passado são boas para Taufiq (Haitham Abdel-Razzaq), velho poeta comunista, que escapou para Londres depois de preso e torturado em seu país. Na capital inglesa, ele trabalha como vigia num museu, sem deixar de rabiscar seus poemas. Não muitos restaram de sua família, apenas a cunhada viúva, Maha (Meriam Abbas), e o sobrinho, Nasseer (Shervin Alenabi).  
 
A comunidade de compatriotas tem como ponto de encontro o café Abu Nawas, de um casal de velhos comunistas, Zeki (Kae Bahar) e Samira (Awatef Naeem), mantendo vivos os pratos típicos e as histórias de um país perdido para sempre. Este ambiente laico, relaxado, onde se discute política e sexo sem cerimônia, forma um agudo contraste com outro lugar, não muito longe dali - a mesquita liderada pelo imã extremista Yasin (Farid Elouardi), cujas pregações estão radicalizando dezenas de jovens muçulmanos, entre eles, Nasseer.
 
Dentre os conflitos que se afirmam dentro da comunidade está o dilema de Amal (Zahraa Ghandour), jovem arquiteta que conseguiu asilo sob um nome falso, o que a priva de trabalhar na sua profissão - ela é a garçonete do café. Pior do que isso é a perseguição implacável que lhe move o marido, Ahmed (Ali Daim Mailiki), um ex-integrante da polícia política de Saddam Hussein de quem ela fugiu e que reencontra sua pista em Londres. 
 
A história se articula para falar destes embates com o machismo, ainda mais porque Amal, neste momento, está envolvida com um inglês, Martin (Andrew Buchan) - o que também não é visto com bons olhos nem mesmo por Taufiq. 
Outro jovem frequentador do café, Muhannad (Wasseem Abbas), lida com outro tipo de preconceito - ele é gay e procura esconder dos compatriotas seu relacionamento com outro local, Sven (Maxim Mehmet). 
 
Posicionando-se no microcosmo da comunidade iraquiana em Londres com bastante propriedade, o diretor e corroteirista Samir desenha seus personagens com grande humanidade e nuances, extraindo humor e ternura de seus relacionamentos, mas sem esquivar-se a expor a gravidade de algumas situações. A intolerância desencadeada pela mesquita radical, à qual se associa o marido rejeitado de Amal, fornece a receita de rupturas e prepara escolhas difíceis e tragédias. Tudo isso é feito com bastante equilíbrio, de modo a produzir entendimento e empatia, num filme com um toque moderno.

Neusa Barbosa


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