Carro Rei

Ficha técnica


País


Sinopse

Desde pequeno, Ninho, apelidado de Uno, tem uma relação visceral com os automóveis, sendo capaz de ouvir sua voz em sua cabeça. Ele nasceu dentro de um carro e perdeu a mãe nele também. Adulto, ele junta-se ao tio, Zé Macaco, um mecânico tarimbado, para resgatar relações humanas e mecânicas numa realidade assombrosa.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/02/2022

Diretora de arte de mão cheia e diretora de filmes como o premiado curta Superbarroco e os longas Amor, Plástico e Barulho e Açúcar, a pernambucana Renata Pinheiro investe uma intensa energia na fábula futurista Carro-Rei, vencedora de quatro prêmios em Gramado 2021: melhor filme, direção de arte, desenho de som e trilha musical. 
 
No cenário de uma Caruaru em que se veem mais automóveis e motos do que gente nas ruas, Renata cria um filme com um conceito estético bem-amarrado, com vários detalhes futuristas determinando o tom da história. Criando uma parábola política para um país obcecado por carros como símbolo de poder e ascensão social, ela centra seu foco na família formada por Marineide (Ane Oliveira), seu marido e o filho, Uninho. Vivendo na mesma casa, está o irmão de Marineide, Zé Macaco (Matheus Nachtergaele), mecânico de automóveis.
 
A morte de Marineide num acidente provoca a ruptura do núcleo familiar, com a expulsão de Zé pelo cunhado para o ferro-velho no limite da cidade. Agora adulto, Uninho (Luciano Pedro Jr.) rompe com o pai, dono da frota de táxis Carroaru Táxis, para estudar Agroecologia. 
 
Reaproximados, tio e sobrinho empenham-se na reforma do carro destroçado no acidente que matou Marineide, simbolizando não só a própria reconstrução de seu vínculo do passado, como projetando uma perspectiva intrigante. O carro, afinal, mostra inteligência, pode falar e conversa especialmente com Uno, que tem essa capacidade de comunicação com a máquina desde pequeno.
 
O roteiro, assinado por Renata, Sérgio Oliveira e Léo Pyrata, imagina desdobramentos que remetem ora a Stanley Kubrick - na presença de uma máquina inteligente e potencialmente perversa, como o computador Hal, de 2001 - Uma Odisséia no Espaço - como à anarquia de Léos Carax em Holy Motors. E assim Carro-Rei constitui um verdadeiro objeto não-identificado em sua fusão de fábula e comentário político-ecológico que situa uma possibilidade de resistência às máquinas modificadas e inteligentes num aditivo retirado da agricultura orgânica.
 
Não falta também o erotismo humano/máquina, materializado pelas participações da performer Mercedes (Jules Elting), em sequências de uma bizarra beleza - muito superiores, aliás, às cenas do mesmo teor de Titane, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2021.

Neusa Barbosa


Trailer


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