Jesus Kid

Jesus Kid

Ficha técnica


País


Sinopse

Eugênio é um escritor que vive do sucesso de seu personagem-cowboy, Jesus Kid. Num país reprimido por uma onde de censura ideológica e religiosa, sua editora decide interromper a publicação de suas histórias. Eugênio vê-se assim obrigado a aceitar um outro trabalho: escrever o roteiro de um filme sobre um escritor com bloqueio criativo, devendo permanecer num hotel isolado.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/08/2021

Afastando-se dos filmes densos que marcaram até aqui sua carreira - como Ferrugem, Para Minha Amada Morta, Nóis por Nóis e Deserto Particular - , o cineasta Aly Muritiba mergulhou no universo de Lourenço Mutarelli para adaptar a saga de um escritor de faroestes em crise, Eugênio (Paulo Miklos). Não se trata, a rigor, de um bloqueio criativo. Acontece que o país entrou numa onda retrógrada de autoritarismo religioso e a editora é pressionada a interromper a publicação de suas histórias sobre um personagem de sucesso, o cowboy Jesus Kid, alegando-se que toma o nome de Jesus em vão. Qualquer semelhança com a realidade não será mesmo mera coincidência - aliás, o general do Centro de Controle de Idoneidade Ideológica que supervisiona as políticas editoriais chama-se Olavo.
 
Pressionado pelo aperto financeiro, Eugênio acaba aceitando o convite para escrever o roteiro de um filme sobre um escritor em bloqueio criativo, devendo, para isso, permanecer trancado num hotel - situação idêntica ao enredo de Barton Fink, dos irmãos Ethan e Joel Coen, que é referido abertamente nesta sátira. 
 
No hotel, Eugênio convive com o curioso recepcionista, Arlindo (Leandro Daniel Colombo), mas sempre chamado por ele de Chet, em referência a Barton Fink.  Fora ele, apenas dois hóspedes, a enfermeira Erica (Maureen Miranda) e o idoso incapacitado de quem ela cuida (Luthero de Almeida), farão parte de seu círculo íntimo, tornando-se os personagens Nurse e Fantoche na história que ele está escrevendo.
 
Mas a companhia mais constante do escritor é mesmo seu personagem Jesus Kid (Sergio Marone), que assume as rédeas da história e de sua vida, como um verdadeiro alter ego que se preze. O cowboy ousado e saradão movimenta bastante a intimidade do escritor tímido e travado, tornando-se uma espécie de vingador contra os chatos e malvados do mundo, facilmente reconhecíveis em suas roupas pretas, como preferem os fascistóides. Mas não só. Há também o notório usuário de um terno verde, efusivamente cumprimentado pelo recepcionista como o sr. Hang, logo seguido por um pato amarelo, como aquele que há poucos anos apareceu na avenida Paulista, ambos frequentando um seminário para ricos e afortunados. Para eles, este Jesus não tem perdão.
 
No Festival de Gramado 2021, o filme venceu três prêmios: melhor direção, roteiro e ator coadjuvante (Leandro Daniel Colombo).

Neusa Barbosa


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