Valentina

Ficha técnica


País


Sinopse

Valentina e sua mãe acabam de mudar para uma nova cidade, no interior de Minas. Para a garota se matricular na nova escola com seu nome social, ela precisa da autorização de seu pai, com quem perdeu o contato. Enquanto tenta encontrá-lo, ela também enfrenta o preconceito local por ser uma jovem transexual.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/08/2021

Na primeira cena de Valentina, a personagem-título (Thiessa Woinbackk) precisa falsificar sua carteira de identidade para entrar numa baladinha à tarde para adolescentes. Não que ela ainda não tenha idade para participar, mas seu documento traz seu nome de batismo, e não o social, que escolheu após sua transição. Logo nessa primeira cena, o roteirista e diretor Cássio Pereira dos Santos estabelece a questão central: a importância de um nome para a construção da identidade da pessoa trans.
 
Valentina é uma adolescente segura de suas escolhas e ações, e recebe total apoio de sua mãe, Márcia (Guta Stresser), uma enfermeira. Quando as duas se mudam para uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, surge uma nova complicação: para matricular-se na escola com o nome social, a garota precisa também da assinatura do pai, Renato (Rômulo Braga), com quem há um bom tempo não tem contato.
 
Enquanto aguarda sua matrícula oficial, Valentina frequenta as aulas de recuperação, para retomar o conteúdo, e acaba fazendo amizades – obviamente, com duas pessoas que também não fazem parte do grupo dos mais populares da escola: Amanda (Letícia Franco), uma adolescente grávida; e Julio (Ronaldo Bonafro​), jovem gay que tem uma relação tóxica com um homem mais velho, que só o procura para favores sexuais às escondidas.
 
É na cumplicidade com essa dupla que Valentina encontrará seu porto seguro, e também ajuda na busca de seu pai, a quem não vê há anos. O diretor constrói personagens com nuances e calcados na realidade – e encontra no trio de jovens intérpretes a força de que seu filme necessita. Woinbackk, que se revela uma ótima atriz, é uma youtuber conhecida que, no seu canal, fala sobre seu processo de transição e a vida como transexual. Suas próprias experiências certamente ajudaram a delinear a personagem Valentina.
 
Na cidade pequena, obviamente, a protagonista enfrenta um grande preconceito – não que em grandes metrópoles ela não enfrentaria, mas a criação de um microcosmos permite ao filme explorar melhor essa questão. Ainda assim, o diretor também busca uma certa leveza e utopia, que se materializa na amizade do trio, em que cada um pode exercer sua identidade sem amarras.
 
Há alguns momentos um tanto ingênuos, especialmente quando se pretende expor a hipocrisia dos homofóbicos e transfóbicos, mas são momentos que em nada enfraquecem Valentina – pelo contrário, servem como uma resolução social e emocional bastante potente. E, ao final, é paradoxal como um pedaço de papel chamado Carteira de Identidade possa dizer tão pouco sobre a verdadeira identidade de uma pessoa.  O filme ganhou diversos prêmios, desde sua estreia em festivais em 2020, como na Mostra de Cinema de São Paulo, Festival Mix Brasil e Festival de Kiev.

Alysson Oliveira


Trailer


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