O Jardim Secreto de Mariana

Ficha técnica


País


Sinopse

Mariana e João viveram uma história de amor forte, que terminou de maneira inesperada, magoando os dois profundamente. Cinco anos depois, ele a procura e pede para voltar. A vida dela, porém, mudou radicalmente.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/08/2021

O cineasta Sérgio Rezende é mais conhecido por seus filmes sobre momentos históricos (Salve Geral, Guerra de Canudos) e figuras conhecidas (Zuzu Angel, O Homem da Capa Preta). Mas, em O Jardim Secreto de Mariana, ele fez seu longa mais intimista sobre uma jornada pessoal de um homem e uma mulher comuns, interpretados por Andréia Horta e Gustavo Vaz.
 
O filme começa com João (Vaz) fazendo uma longa viagem até Inhotim, onde se encontrará com Mariana (Horta), sua ex-mulher, de quem se separou há cinco anos. Ela escreveu uma carta, naquele momento, mas, só agora ele teve coragem de ler, e acredita que não deviam ter terminado a relação de maneira tão tensa como foi o fim.
 
Com roteiro assinado pelo próprio Rezende, a narrativa custa um pouco para encontrar seu caminho. As rápidas idas e vindas no tempo se tornam um tanto confusas, mas, depois o longa encontra seu ritmo e combina bem os flashbacks com o presente. João e Mariana eram felizes, viviam num sítio onde plantavam vegetais para consumo próprio e flores. Ela é botânica especializada em flores e cuidava delas de maneira natural, sem pesticidas.
 
Se eles eram tão felizes, porque o casamento terminou? As pistas são dadas aos poucos. Mariana e João queriam um bebê, mas não conseguiam. Apesar na insistência no modo de vida natural, comendo apenas orgânicos, sem carnes e afins, eles acabam aceitando tratamentos médicos para tentar a gravidez. O filme – e Horta e Vaz – conseguem criar personagens reais sem cair na chatice de uma pregação naturalista, como era um risco sério aqui.
 
A dicotomia entre natureza e artifício é o centro da questão em O jardim secreto de Mariana. Quando parte das flores do sítio são atacadas por uma praga, a protagonista se culpa e se nega a usar qualquer tipo de remédio. Mais tarde, quando João a reencontra, ela está dando uma série de palestras sobre a reprodução de flores, e suas falas servem como uma metáfora bem-sacada sobre a sexualidade humana.
 
Rezende faz um filme que cola nos personagens, em que a trajetória deles – do passado e do presente – é o que dita a narrativa. O longa é bastante peculiar, com ritmo e questões bem próprias e não muito abordadas no cinema nacional, o que lhe confere um certo ar europeu, mas sem nunca distanciar-se das especificidades nacionais. É, de certa forma, uma utopia sobre as relações humanas e amorosas diante de um mundo cada vez mais degradado.

Alysson Oliveira


Trailer


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