Cry Macho: O Caminho para Redenção

Ficha técnica


País


Sinopse

Mike Milo é um velho ex-astro de rodeios, que passa seus dias solitário e bebendo. Um dia, é procurado pelo ex-patrão para viajar ao México e resgatar um filho que tivera, anos atrás, com uma mulher que ele diz problemática. O menino, Rafa, vive nas ruas, ganhando a vida com um galo de briga, Macho.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/08/2021

Do alto de seus 91 anos bem-vividos, Clint Eastwood soma mais um heroi pra lá de imperfeito à sua muito respeitável galeria - com o adicional de ser um capítulo extra na linha do crepúsculo dos machos que ele ajudou a promover por tantas décadas, de Dirty Harry às muitas encarnações do Estranho sem Nome de seus faroestes.
 
O Mike Milo, astro aposentado de rodeios, que ele encarna em Cry Macho - O Caminho para a Redenção, na verdade deve muito a esses sobreviventes que, no faroeste, andam sós pelas estradas. Clint resgatou a história de um livro lançado em 1975 por N. Richard Nash, aqui um dos roteiristas, ambientando a trama quatro anos depois - o que explica a ausência das hoje onipresentes telas de celulares e computadores.
 
Há mais de uma redenção em curso ao longo da história, que se desenrola na maior parte do tempo em estradas poeirentas do México. A bordo de um carro, Mike e um adolescente de 14 anos, Rafael (Eduardo Minett), cuja volta aos EUA é também um tipo de resgate para o pai do garoto, o ex-patrão de Mike, Howard Polk (Dwight Yoakam). São três gerações de homens em conflito, os mais velhos, abandonados ou em guerra com as mulheres - estas, personagens que o roteiro nem sempre desenvolve tão bem quanto os homens, já que o foco está centrado neles. 
 
Duas mulheres polarizam os interesses aqui. Leta (Fernanda Urrejola), a mãe de Rafa, que se tornou uma espécie de chefona criminosa no México. Certamente, não é uma boa mãe, mas sua hipersexualização é problemática e sem nuances, vilanizando um tanto maniqueisticamente uma personagem que poderia ser mais bem delineada sem mudar, de fato, sua aparente malignidade. A outra mulher será Marta (Natalia Traven), uma viúva e avó que, na parte final, terá sua importância como anjo bom nas vidas de Mike e Rafa e certamente tem mais camadas do que o permitido à breve participação de Leta.
 
Feita a ressalva, o enredo aposta na ligação que se forma entre Mike e Rafa, garoto que, fugindo da mãe e há muito abandonado por este pai que agora o reclama, ganhou as ruas para tentar sua independência ganhando dinheiro com brigas de galo. Ele tem um, chamado Macho, que se torna o terceiro integrante da trupe que ganha as estradas e mostra talentos inesperados em momentos de crise. Além disso, o galo vira também um símbolo para este espírito brigão que, domado e atuando só nos momentos precisos, tem lá sua utilidade. 
 
No meio do caminho, há perigos e contratempos, A dupla precisa fugir da polícia, já que o menino é menor e sua mãe não quer perdê-lo de vista, mandando atrás dele e de Mike seu companheiro gângster, Aurelio (Horacio Garcia-Rojas). Tudo isso soma desafios a uma história em que não se pode apostar nem em brigas nem tiroteios, tendo em vista a fragilidade de seus dois protagonistas, que precisam contar com seus instintos acima de tudo e com o galo, naturalmente. 
 
Se é verdade que Mike Milo não tem o mesmo brilho de outros personagens vividos na tela por Clint, como Frankie Dunn (Menina de Ouro) e Walt Kowalski (Gran Torino), ele faz boa companhia a encarnações mais recentes e modestas, como o Gus rabugento de Curvas da Vida ou o Earl Stone meio sem noção de A Mula. Mais magrinho e rouco, Mr. Clint parece não ligar para isso, quer gastar até o fim o brilho de sua chama. Está muito certo.

Neusa Barbosa


Trailer


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