Amor, Sublime Amor

Ficha técnica


País


Sinopse

O bairro de West Side, em Nova York, passa por grandes mudanças. Enquanto as demolições aumentam, mantém-se inalterada a rivalidade entre as gangues rivais dos brancos Jets e dos portorriquenhos Sharks. No meio dessa guerra, apaixonam-se a latina Maria e o branco Tony.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/08/2021

Steven Spielberg senta novamente na cadeira de diretor e logo para assumir o comando do primeiro musical de sua longa e premiada carreira, um remake de nada menos do que um clássico do musical, Amor, Sublime Amor. Espetáculo que estreou na Broadway em 1957, de autoria do dramaturgo Arthur Laurents, com direção e coreografias de Jerome Robbins, música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, ele ganhou sua versão cinematográfica em 1961, dirigida por Robbins e Robert Wise, ganhando dez Oscars, inclusive melhor filme e direção.
 
A versão de Spielberg tem roteiro de outra fera dos musicais, o roteirista Tony Kushner (autor de Anjos na América e seu parceiro em Munique e Lincoln), que adapta a peça original realizando a façanha de reinventar e não reinventar ao mesmo tempo. Ou seja, a história permanece na mesma época, 50 anos atrás, no mesmo bairro de West Side onde se degladiavam as gangues dos Jets - uma espécie de antecessores dos supremacistas brancos - e dos Sharks, os portorriquenhos. Entre eles, a história de amor à la Romeu e Julieta entre a portorriquenha Maria (Rachel Zegler) e o branco de origem polonesa Tony (Ansel Elgort).
 
Se o enredo permanece o mesmo, o contexto obedece a algumas atualizações necessárias à nossa época. Aqui não existem mais atores em brown face, como no filme de 1961 - em que Natalie Wood interpretava a latina Maria - e as falas em espanhol são deixadas sem legendas, projetando um respeito maior pela língua dos portorriquenhos.
 
Contando com colaboradores habituais, como seu diretor de fotografia Janusz Kaminski, Spielberg injeta uma enorme vitalidade a um musical cujas músicas todo mundo conhece, ainda que não tenha assistido às montagens teatrais ou ao filme de 1961. Canções como Maria, Tonight, Somewhere e America ganham novas versões, contando com elencos jovens e dinâmicos, entre eles alguns veteranos da Broadway - caso de Ariana DeBose, intérprete da premiada Hamilton e aqui defendendo o importante papel de Anita. 
 
Uma homenagem ao filme de 1961 é a escalação da veterana Rita Moreno, 90 anos, vencedora de um Oscar de coadjuvante como a Anita da época, aqui interpretando Valentina, dona da drugstore em que trabalha Tony. Ela é uma nova personagem criada por Kushner para substituir Doc (Ned Glass), o antigo dono do lugar, que é descrito aqui como seu marido - um casal, aliás, multiétnico, ele branco, ela portorriquenha, um exemplo isolado que inspira de leve os pombinhos Maria e Tony. Mas seu contexto, afinal, não é tão propício.
 
Sem aprofundar tanto assim os personagens dos dois lados em disputa, o filme de Spielberg fornece contexto suficiente para que se desenhem os conflitos, embasados em questões cruciais como racismo e gentrificação - tanto os Jets quanto os Sharks, afinal, são pobres e brevemente serão expulsos de seu bairro para a construção do Lincoln Center e prédios de apartamentos em que eles não terão renda para morar.
 
O perfil dos dois protagonistas foi um pouco mais enriquecido neste filme. Tony é um jovem que acaba de cumprir um ano na prisão pela agressão a um jovem latino e tenta afastar-se da violência de sua turma, os Jets, liderados por Riff (Mike Faist). Maria, por sua vez, é uma jovem de 18 anos que cuidou sozinha do pai por 5 anos antes de juntar-se ao irmão, Bernardo (David Alvarez), boxeador e líder dos Sharks, resistindo ao mandonismo machão dele. 
 
As coreografias renovadas de Justin Peck e a montagem de Michael Kahn e Sarah Broshar conferem o ritmo elétrico de um filme que tem sequências memoráveis, a partir da apresentação inicial, em que alguns dos personagens emergem de um cenário em demolição. Por conta disso, nem se sentem as 2 horas e meia do filme, que conquistou o Oscar de atriz coadjuvante para Ariana DeBose. 

Neusa Barbosa


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