Abe

Ficha técnica


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Sinopse

Filho de pai de origem palestino/muçulmana e mãe judia, Abe, de 12 anos, tenta conciliar os conflitos de suas raízes. Apaixonado por gastronomia, ao conhecer um chef brasileiro, Chico Catuaba, o garoto descobre que a comida pode transformar o mundo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/07/2021

Fruto do casamento entre um muçulmano, Amir (Arain Moayed), e uma judia, Rebecca (Dagmara Dominczyk), Abe (Noah Schnapp) tem problemas para conciliar os dois lados de sua formação - a partir de seu próprio nome, Avraham, para o lado judeu, Ibrahim, para o muçulmano. O apelido é uma espécie de conciliação com que ele tenta emendar as pontas entre esses dois mundos que o disputam, inconciliáveis. 
 
A maneira com que este pré-adolescente de 12 anos se relaciona com a vida é pela gastronomia, mas nem por aí ele se esquiva de conflitos. Apesar de tantas iguarias obviamente parecidas entre os dois lados de sua família, a disputa por sua invenção permanece tão insolúvel quanto a crise do Oriente Médio. Por isso, os jantares reunindo os avós, pelo lado paterno, Salim (Tom Mardirosian) e Aida (Salem Murphy), e o avô materno viúvo, Benjamin (Mark Margolis), costumam reservar sempre alguma rivalidade e eventuais momentos de tensão. Ainda mais agora, que, na idade do menino, Benjamin tenta ganhá-lo para fazer seu bar-mitzva, enquanto os outros avós discorrem sobre o jejum e o Ramadã.
 
Abe gosta de cozinhar e costuma ocupar a cozinha de sua casa, no Brooklyn nova-iorquino, conciliando, o mais que pode os sabores em disputa. Mas seu olhar aprende um novo enfoque com a cozinha colaborativa de um chef brasileiro, Chico Catuaba (Seu Jorge), que atualmente brinda Nova York com suas delícias, misturando ingredientes e temperos de vários povos.
 
A espinha dorsal do filme, que parte de uma história do diretor brasileiro Fernando Grostein Andrade, aqui fazendo sua estreia internacional, reside neste processo de aprendizado do menino com o chef, cuja cozinha ele passa a frequentar, enquanto os pais pensam que ele está num cursinho infantil de culinária em seu bairro.
 
Conhecido por sua participação no seriado Stranger Things, Noah Schnapp interpreta à perfeição este garoto apaixonado pelas possibilidades da comida e dos encontros a partir de sua mistura de cores e sabores. Mais dura é sua tarefa de procurar compor os dois ramos familiares, o que se traduz num menu especial preparado para o Dia de Ação de Graças, data tradicional dos EUA. Que pode ou não ser o grande divisor de águas deste clã.
 
Roteirizado por Lameece Issaq e Jacob Keder, o tom da história é suave, fixando-se em não ultrapassar os limites de um “filme para toda a família”. Por conta disso, há uma certa pasteurização dos problemas levantados, tanto política quanto familiarmente. O próprio Abe parece um tanto idealizado e doce demais, embora certamente adorável.
Fica por conta de Seu Jorge, o cantor brasileiro que acumula paralelamente uma notável carreira como ator - de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, a A Vida Marinha com Steve Zissou, de Wes Anderson -, inserir uma nota mais incisiva, na pele de um chef de cozinha exigente, eventualmente mal-humorado e determinado a pôr à prova a inocência infantil de Abe no seu treinamento na cozinha. Mas, de todo modo, é um filme cheio de doçura, boa vontade e tema relevante, ainda que não ultrapasse as entrelinhas. 
 
A identidade visual fica por conta do veterano diretor de fotografia italiano Blasco Giurato (do cult Cinema Paradiso), criando texturas e cores variadas e dinâmicas para expressar os dois mundos em que Abe se movimenta à vontade, a internet (com seu videoblog culinário) e a cozinha, em que procura fundir os sabores e superar o amargor da vida real dos adultos. 

Neusa Barbosa


Trailer


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