Jungle Cruise

Ficha técnica


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Sinopse

Em 1916, a pesquisadora inglesa Lily Houghton apodera-se de uma relíquia, que é a chave para obter uma flor de poderes miraculosos. Ela embarca para a Amazônia brasileira com seu irmão, McGregor, e contrata o barqueiro Frank para a viagem em busca da flor. Mas, no seu encalço, vão diversos outros interessados na mesma coisa.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/07/2021

A versátil atriz inglesa Emily Blunt vem ocupando nas telas um lugar que, até não muito tempo atrás, era de Angelina Jolie. Ou seja, um misto de mulher de ação, aventureira intrépida e, eventualmente, combinando os dois aspectos como heroína romântica e/ou mãe. Emily pode ser vista na função especialmente em seus sucessos mais recentes, como a franquia Um lugar silencioso e dá um passo adiante na aventura cômica Jungle Cruise
 
O famoso parque temático da Disney ganha asas com roteiro assinado por Michael Green, Glenn Ficarra e John Requa e a direção do catalão Jaume Collet Serra, diretor de vários filmes de ação protagonizados por Liam Neeson (Desconhecido, O Passageiro). O conceito de parque temático permanece na caracterização fantasiosa do ambiente da história, a Floresta Amazônica - mas esta não é mesmo a Amazônia real. Nela, cabe tudo o que a imaginação dos roteiristas e produtores pôde lembrar, tomando grande liberdade também com a época, que no caso é 1916.
 
Nesse ambiente, em Porto Velho (RO), vive Frank (Dwayne Johnson), um barqueiro condutor de excursões ao longo do rio em que não só oferece emoções legítimas aos passageiros, como a visão de tucanos e algumas cobras nas árvores, como deixa preparadas algumas outras - como um rinocerante fake e ataque de indígenas agressivos, tudo parte do seu show. Seu único problema é o velho barco, cujos problemas de motor o levam a endividar-se com o magnata local, o italiano Nilo (o impagável Paul Giamatti).
 
Um dia, desembarca por ali a dupla de ingleses Lily (Emily Blunt) e seu irmão, McGregor Houghton (Jack Whitehall). Ela, uma pesquisadora de velhas lendas e manuscritos, que conseguiu apoderar-se de uma relíquia, a Arrowhead, que seria a chave de acesso a uma flor de poderes miraculosos. A moça é ousada, a começar pelo figurino: usa calças compridas, o que mulher alguma vestia no começo do século XX. Fora isso, é hábil para abrir fechaduras e defende-se muito bem em lutas corporais. 
 
A ligação entre Lily e Frank começa quando ela o contrata com seu barco para levá-la a um lugar misterioso, conhecido como Lágrimas de Cristal, onde estaria a chave para encontrar sua flor miraculosa. O problema é que há mais gente atrás disso, como o príncipe alemão Joachim (Jesse Plemons), que vê na flor a chave para ganhar a I Guerra, então em curso. E, no meio do caminho, o príncipe planeja convocar uma força extra do além, soltando os zumbis do século XVI da expedição de Aguirre (Édgar Ramírez) que ficaram paralisados por uma maldição indígena.
 
Dá para imaginar que a história, ultra-movimentada e cheia de efeitos especiais, bebe em várias fontes de inspiração, entre Piratas do Caribe, Indiana Jones e até outras aventuras na selva, como Uma Aventura na África (1951), de John Huston. Do filme de Huston, tira-se um detalhe mais curioso: Emily Blunt e Dwayne Johnson conseguem ser uma dupla ainda mais improvável do que eram na época Katharine Hepburn e Humphrey Bogart, em todos os sentidos. Mas a verdade é que Blunt e Johnson funcionam bem na tela, como parceiros às turras, contra um número inimaginável de inimigos, numa história em que se deve de saída desistir do realismo e da lógica para poder aproveitar a fantasia da aventura. 
 
A preocupação da Disney com mostrar uma maior diversidade em seus filmes ficou desta vez a cargo do personagem McGregor - o primeiro declaradamente gay num filme do estúdio e que admite esta condição numa conversa em que se esgota o assunto, nunca mais mencionado. Pode-se pensar, no entanto, que uma preocupação semelhante não foi dedicada ao retrato dos povos indígenas na tela. Diz-se que a língua falada por eles é o tupi - passando por cima do fato de que a região contempla inúmeras línguas (aliás, mesmo estando no Brasil, português mal se escuta). O figurino também é uma mistura de muitas inspirações, nenhuma delas parecida com os trajes dos indígenas brasileiros, remetendo a uma estilização à moda das escolas de samba. Mesmo admitindo-se toda a liberdade que uma aventura cômica pode ter, contando com um orçamento generoso estimado em US$ 200 milhões, esta produção poderia ter feito um pouco melhor neste quesito. 

Neusa Barbosa


Trailer


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