JFK: A Pergunta que Não Quer Calar

Ficha técnica


País


Sinopse

Jim Garrison é um promotor da cidade de Nova Orleans que investiga o assassinato do presidente John F. Kennedy e descobre que há muito mais fatos por trás do crime do que os registrados pela versão oficial.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/07/2021

Acaba de estrear no Festival de Cannes, um documentário sobre o longa JKF: A pergunta que não quer calar, chamado JFK Revisited: Through the looking glass, JFK Revisitado: Através do Espelho, em tradução livre. Ambos dirigidos por Oliver Stone, os filmes investigam o assassinato do presidente norte-americano em Dallas, em 1963. Os trinta anos que separam o filme original do mais recente permitiram trazer ao novo projeto um outro fôlego, com a liberação de documentos do governo dos EUA sobre o crime. Agora, Stone diz que o que era “teoria da conspiração”, em 1991, é “fato de conspiração”.
 
O lançamento de  JKF: A pergunta que não quer calar em streaming permite revisitar o longa de Stone, e observá-lo sob uma nova luz – antes que o documentário chegue a terras brasileiras. Nessas três décadas, a carreira do diretor teve altos (não muitos) e alguns baixos. Ele continua com suas investigações sobre conspirações – teorias e fatos, como ele mesmo diria – e personagens reais. O mais recente no tema é a Snowden: Herói ou Traidor, de 2016, sobre Edward Snowden.
 
JFK foi indicado a oito categorias no Oscar, incluindo filme e diretor – e ganhou em duas, fotografia e montagem. Para o longa, Stone, que também assina o roteiro, parte do livro de Jim Garrison, promotor que investigou o assassinato de Kennedy. No filme, o personagem é interpretado por Kevin Costner, mas o diretor vai além do relato original de Garrison, agregando novos elementos que eram desconhecidos na época da publicação. Ou seja, o filme não compra todas as teorias do promotor.
 
Uma das ideias principais do filme é de que Lee Harvey Oswald (Gary Oldman) não é o único responsável pelo assassinato. Ele pode ter disparado o tiro (até nisso há controvérsias), mas há uma rede conspiratória envolvendo os mais diversos grupos que culminou com o tiro em Dallas. A investigação de Garrison, um personagem construído com toda a dignidade do mundo, expõe as falsidades da versão oficial do FBI.
 
Stone constrói um filme robusto de mais de 3h de duração e tecnicamente impecável. A premiada fotografia de Robert Richardson contribui na sensação cada vez mais claustrofóbica de filme de tribunal. O tom documental adotado por Stone contribui também na sobriedade e na capacidade de organizar o enorme volume de informação acumulado pela narrativa.
 
Na época de seu lançamento, o filme foi acusado, entre outras coisas, de dar holofotes a Garrison e suas teorias – o promotor morreu pouco de do lançamento do longa, em 1992, aos 91 anos. Mas essa não é a questão central aqui. Na verdade, com JFK, mais do que investigar o assassinato de Kennedy, Stone investiga o etos americano e sua crença na busca pela verdade e a liberdade – nada muito diferente do que fez em toda sua filmografia. É um filme sobre a sedimentação do conservadorismo cada vez mais fortalecido no país, que fez um percurso até hoje que bem conhecemos.

Alysson Oliveira


Trailer


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