Persuasão

Persuasão

Ficha técnica


País


Sinopse

Anne Elliot é uma jovem dotada de bom senso, mas nem sempre convicta de suas ideias. Ela acaba persuadida por uma amiga a terminar o noivado com um homem de poucas posses. Anos depois, ainda solteira, ela não conseguiu superar esse equívoco. Quando seu amado retorna como um capitão da Marinha Real, ela não sabe lidar com a situação.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/07/2021

Talvez seja uma espécie de paradoxo que Persuasão, o melhor romance de Jane Austen, publicado postumamente, em 1817, seja um dos menos conhecidos e dos menos adaptados para o cinema. Nesse sentido, o filme de 1995, dirigido por Robert Mitchell é um marco. Novamente, tal como o livro, é excelente (das melhores transposições da obra da escritora para o cinema), e pouco conhecido – talvez por ser um filme para televisão que, no Brasil, nunca ganhou uma estreia no cinema e, na época, foi lançado em VHS. O streaming dá a chance à descoberta tardia dessa pequena joia antes do lançamento de duas novas adaptações, em produção – uma delas, atualizando a trama.
 
Ao contrário dos famosos Emma e Orgulho e Preconceito, Persuasão não é uma história com toques cômicos – embora sempre existam momentos de humor. Aqui a melancolia das oportunidades perdidas é o que dá o tom. A protagonista é Anne Elliot (Amanda Root), jovem que foi noiva de um capitão da marinha inglesa, Wentworth (Ciarán Hinds), mas, persuadida por uma amiga da família, termina o relacionamento, por acreditar na chance de fazer um casamento melhor. Sete anos depois, ela continua solteira, apaixonada por ele e infeliz. Ele, por sua vez, enriqueceu.
 
No romance, pouco acontece, em termos de ação. No filme, o roteirista Nick Dear coloca em cena um grande elenco de personagens coadjuvantes, que contribuem com as nuances do longa. A questão central, como sempre em Austen, é o papel da mulher na sua sociedade, o que ela pode e não pode fazer, como deve e não deve se comportar. A literatura dela ensinava a jovem classe burguesa como agir, como se tornar um indivíduo.
 
Anne é a pessoa mais sensata e inteligente de sua casa, que inclui o pai e as irmãs extravagantes – apesar da falta de dinheiro. Ela fala pouco e seus olhos parecem registrar tudo. O capitão Wentworth não é muito diferente dela, um homem resignado ao seu mundo, que aceitou a perda da mulher que ama, pois ela preferiu a separação. Quando o reencontro é inevitável, eles ficam em silêncio. Tanto têm para dizer, mas as palavras lhes faltam. Quando surge um novo pretendente para Anne, o primo William (Samuel West), a trama parece tomar outro caminho.
 
Muito do filme depende de Root e Hinds, e ambos estão perfeitos em seus papeis – dois personagens contidos, ensimesmados, cuja ação acontece mais em suas mentes do que nos cenários. Como transformar todas as meditações de Anne em filme? Filmá-la com a câmera parada em close? Mitchell encontra saídas formais mais bem-sucedidas, colocando a personagem pensativa como uma ilha cercada de gente falante. Comparado com as adaptações de Austen dos anos de 1990 e mais recentes, Persuasão é um filme modesto e, por isso mesmo eficiente, pois, como sua protagonista, é mais contido e sagaz.

Alysson Oliveira


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