Negócios de família

Negócios de família

Ficha técnica


País


Sinopse

Ladrão contumaz e nunca arrependido, Jessie McMullen vive afastado do filho, Vito, que desde jovem partiu para uma vida honesta, criando seu filho, Adam, para estudar e trabalhar. Mas um belo dia Adam resolve largar a faculdade, seduzido pela ideia de um roubo que pode render US$ 1 milhão - e chama o avô para ajudar.


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Crítica Cineweb

06/07/2021

Não foi à toa que Sidney Lumet (1924-2011) foi considerado um dos grandes diretores contemporâneos do cinema norte-americano. Ele era capaz de conduzir com mão segura os melhores elencos de sua época e histórias de grande complexidade, não raro adentrando nos meandros da criminalidade - legando filmes marcantes como Serpico, Um Dia de Cão, Q & A - Sem Lei, Sem Justiça e As Sombras da Lei.
 
Negócios de Família (1989) é outra dessas histórias. Reunindo os talentos de três gerações, Sean Connery, Dustin Hoffman e Matthew Broderick, parte do roteiro de Vincent Patrick, adaptando seu próprio livro, para desenvolver um enredo que explora paternidade, identidade masculina e flerte com o crime. 
 
A marginalidade corre no sangue do clã McMullen, a partir do patriarca, Jessie (Connery), um ladrão contumaz e nada arrependido. Vito (Hoffman), o filho, foi criado nessa vida mas decidiu largar o crime, tornando-se um honesto atacadista da carne. Seu próprio filho, Adam (Broderick), é um jovem educado para ter uma sofisticada carreira acadêmica. Mas, subitamente, ele cai sob o encanto do submundo.
 
Ele começa a conviver mais com o avô, um malandro charmoso e cheio de prosa - o que deixa Vito de cabelo em pé, assim como sua mulher, Elaine (Rosanna DeSoto). Na verdade, é Adam quem está convidando Jessie para um golpe, que inclui roubar alguns frascos de plasma de uma companhia de pesquisa high tech. Parece o plano ideal para o jovem, que decidiu largar a faculdade a poucos meses de concluir o mestrado em biologia e recebeu a tentadora oferta de US$ 1 milhão pelo roubo.
 
Várias vezes na obra de Lumet desenha-se uma trama que envolve um plano supostamente perfeito e parentes ou amigos envolvidos num golpe que, em algum momento, vai mostrar suas brechas. Mais uma vez, é disso que se suspeita, num filme estruturado de maneira muito equilibrada, com seu tempo dividido exatamente em duas metades, entre a preparação do roubo e o roubo propriamente dito e suas inevitáveis consequências.
 
Um dos sinais da maestria de Lumet está na maneira como constrói a atmosfera de cada cena, contando com diálogos admiravelmente esculpidos na mais fina ironia, tirando humor de onde é possível. Sem resvalar em nenhum moralismo fácil, Lumet elabora cuidadosamente um retrato de família, do qual vai extraindo as tensões há muito sufocadas entre Jessie e Vito, depois entre Vito e Adam, expondo o avesso dessa paternidade problemática que corre em torno destas três gerações.
 
É, assumidamente, um filme do universo masculino, em que poucas mulheres gravitam em torno dos acontecimentos, sem grande possibilidade de comandá-los. A mais presente em cena é Elaine, mulher de Vito, mãe de Adam, cujas falas evidenciam uma personalidade vibrante e forte. Mas este é um mundo dos machos, em que eles inventam seus sonhos, seus projetos insanos, suas relações, suas loucuras e isso é muito interessante de acompanhar, num filme de um diretor deste peso. 
 
Da mesma forma, Lumet consegue desenvolver em cena o tempero das diversas etnicidades e culturas que entram na composição desta família. Jessie foi casado com uma siciliana, a falecida mãe de Vito. Os pais de Elaine (Salem Ludwig e Marilyn Cooper) são judeus, compartilhando com o neto alguns de seus costumes em ocasiões de festa. Tudo isso é muito Nova York, uma cidade que Lumet amava, embora não tivesse nascido lá.

Neusa Barbosa


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