Shiva Baby

Shiva Baby

Ficha técnica


País


Sinopse

Danielle é uma jovem universitária sem rumo na vida. A morte de uma pessoa próxima a obriga a participar de uma reunião, onde encontrará não apenas seus pais, mas também amigos novos e antigos, levando-a a repensar sua vida.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/06/2021

É impressionante que Shiva Baby seja o primeiro longa da diretora e roteirista Emma Seligman, tamanha a segurança com que ela conduz o filme, em seus contidos 77 minutos. Não há uma cena, uma fala, um suspiro fora do lugar. Tudo é muito bem articulado e envernizado por um humor cínico, diálogos mordazes e sentimentos sinceros. Parte do sucesso deve-se também à atriz  Rachel Sennott, cujo rosto expressivo é a marca registrada do longa.
 
Sennott é Danielle, jovem judia, estudante universitária em Nova York, que volta para a casa dos pais para acompanhar uma reunião durante a shiva, que é o período de luto para os judeus, iniciado após um enterro. A garota tem uma personalidade peculiar, ansiosa e insegura, mas, também, em certa medida, manipuladora e cínica. Um caldeirão de emoções e sentimentos se passam em sua cabeça.
 
Filha de pais de classe média alta (Fred Melamed e Polly Draper), ela recebe uma mesada considerável, mas, ainda assim, tem um sugar daddy, um homem que a sustenta em troca de favores sexuais. A relação é complexa porque, para Danielle, importa mais seu empoderamento na maneira como manipula o sujeito do que o dinheiro em si. A surpresa é que ele, Max (Danny Deferrari), também aparece na reunião, com a mulher e a sua filha bebê. Mas ele também se surpreende ao saber que Danielle é sustentada pelos pais e que o dinheiro que ele lhe dá não é bem para pagar os estudos.
 
Há uma outra ponta solta da vida da protagonista que se materializa na reuinão: Maya (Molly Gordon), amiga de infância com quem Danielle parece ter uma relação de amor e ódio. Há, na verdade, questões do passado mal resolvidas, que virão à tona naquele dia. A química entre as duas atrizes em suas cenas juntas traz à tona o humor, mas também os sentimentos confusos que existem entre elas.
 
Shiva Baby é um filme claustrofóbico, praticamente o tempo todo dentro da casa onde acontece a reunião, e as pessoas comem, bebem e conversam, e isso diz muito sobre o estado de espírito da protagonista. Seligman joga com os estereótipos judaicos canonizados pelo cinema e literatura – o pai constrangedor, a mãe super-protetora -, mas o elenco é tão bom que injeta humanidade em todas essas pessoas. Algumas das melhores cenas consistem na mãe de Danielle tentando apresentar a filha emburrada a alguém que lhe dê uma boa colocação depois de formada.
 
Danielle estuda gênero, na universidade, e esse não deixa de ser um filme sobre identidade – tanto sexual, quanto histórica. O que é ser uma jovem judia no mundo de hoje?, pergunta Shiva Baby. A resposta não é simples, e o filme bem sabe, por isso mostra mais interesse em levantar a questão do que buscar uma solução. É uma saída sagaz de Seligman, cuja estreia promete uma diretora a se prestar atenção.

Alysson Oliveira


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