Preparativos para ficarmos juntos por tempo indefinido

Preparativos para ficarmos juntos por tempo indefinido

Ficha técnica

  • Nome: Preparativos para ficarmos juntos por tempo indefinido
  • Nome Original: Felkészülés meghatározatlan ideig tartó együttlétre
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Hungria
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Drama, Romance
  • Duração: 94 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Lili Horvát
  • Elenco: Natasa Stork, Viktor Bodo

País


Sinopse

Marta é uma mulher húngara, de 40 anos, há 20 radicada nos EUA, onde trabalha como neurocirurgiã. Num congresso internacional, ela conhece um colega húngaro, János, e eles marcam um encontro em Budapeste. Quando ela o encontra, ele tem uma reação inesperada.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

07/06/2021

A diretora e roteirista húngara Lili Horvát cria um romance que se desprega dos clichês românticos para flertar com um drama psicológico, mantendo o espectador em suspenso sobre o que é, ou não, imaginação de sua protagonista, Marta (Natasa Stork).
 
Marta é o que se chama de uma mulher realizada. Bonita, independente, aos 40 anos vive há 20 em Nova Jersey, EUA, trabalhando como neurocirurgiã. Depois de conhecer um colega num congresso de neuro-oncologia, ela sentiu ter encontrado o que lhe faltava - uma grande paixão, que nunca havia sentido antes. Os dois marcaram um encontro em Budapeste, na Ponte da Liberdade, e Marta chega de volta ao país natal com a maior expectativa.
 
Frustrado o encontro, Marta procura a pista de János (Viktor Bodó). A reação dele é um choque - ele diz que não a conhece e nunca se viram antes. A partir daí, Marta tem reações impulsivas, rompendo o que até ali fora o seu padrão. Resolve intempestivamente radicar-se de novo em Budapeste, trabalhando num hospital que János também frequenta.
Joga-se com os sentimentos e expectativas do público a partir da dúvida da própria Marta de que pode estar sofrendo algum distúrbio psíquico, que a levou a imaginar tudo - ela até procura um psiquiatra para explorar essa possibilidade. Enquanto isso, leva adiante sua nova vida, em que parece ter dado alguns passos atrás. O apartamento onde mora agora está caindo aos pedaços e com poucos móveis. No hospital, ela é olhada pelos colegas com um misto de inveja e desconfiança. Não tem amigos e vive numa enorme solidão.
 
Centrada no ponto de vista de Marta, inclusive em suas eventuais interações com János, a narrativa evolui sem pressa de resolver os mistérios que pairam entre eles. Em vários momentos, tudo o que se tem é a maneira como Marta olha e interpreta todo esse ambiente estranho de sua terra natal reencontrada, sem que ela cogite voltar para os EUA - de onde está recebendo insistentes chamadas telefônicas de uma amiga, que ela não se digna a atender.
 
A maneira sutil como a diretora contempla estas situações é um grande atrativo para manter o espectador focado nesta mulher bela e misteriosa, que parece pairar fora de relações humanas, ainda que seja procurada para isso - como acontece com Alex (Benett Vilmányi), jovem estudante de medicina, filho de um paciente dela, que se interessa por ela.
 
Num filme econômico assim, são fundamentais algumas sequências em que a sugestão visual é mais eloquente do que as palavras - caso do lançamento do livro de János e também, principalmente, das cenas em que Marta e János se acompanham, em calçadas distintas, por quarteirões a fio. Nestes momentos, se constrói a essência da sedução em que o filme viaja, com um clima que parece frio, mas esconde seu turbilhão abaixo da superfície.

Neusa Barbosa


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