Um Fascinante Novo Mundo

Um Fascinante Novo Mundo

Ficha técnica


País


Sinopse

Nos EUA do século XIX, Abigail mora com seu marido numa fazenda e sofre com a morte da filha pequena. A chegada de um novo casal de vizinhos irá transformar sua vida, quando ela acaba se envolvendo com Tallie, uma jovem tão infeliz quanto ela.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

07/06/2021

“Fascinante” é a palavra-chave no título nacional de Um fascinante mundo novo, segundo longa de Mona Fastvold, repleto de beleza visual e intensidade de sentimentos. O “mundo novo” pode se referir à vida que os personagens tentam construir nos EUA do século XIX, mas também à descoberta do amor por duas mulheres de fazendeiros solitárias e infelizes.
 
Abigail (Katherine Waterston) e Tallie (Vanessa Kirby) são mulheres à frente do seu tempo, vivendo numa sociedade altamente patriarcal, que as impede de desenvolver seus sentimentos. Baseado num roteiro assinado pelos escritores Ron Hansen e Jim Shepard, inspirado num conto dele, o longa se constrói no ritmo da vida dessas personagens e seus maridos, Dyer (Casey Affleck) e Finney (Christopher Abbott), respectivamente.
 
Fastvold, que tem no currículo O Sonâmbulo e os roteiros de Vox Lux e A infância de um líder (ambos dirigidos por seu companheiro, Brady Corbet), faz um filme estranho e fascinante, pautado pela paisagem natural de uma terra ainda pouco explorada. A fotografia do francês André Chemetoff ressalta os tons naturais da terra, das folhas verdes e a ferrugem das secas. De maneira formal, a diretora traz texturas ao seu filme que refletem as personalidades de seu quarteto de personagens.
 
Embora centrado nas duas figuras femininas que, em meio a um cotidiano monótono e a opressão, encontram o amor, o longa explora muito bem também seus personagens masculinos, dando-lhes densidade. Aqui, há uma história de sentimentos sinceros por todos os lados. Não há vilões ou vilãs, apenas pessoas vivendo em sociedade, tentando contornar os problemas e romper barreiras.
 
A narrativa é estruturada pelo diário de Abigail, começando em 1 de janeiro de 1856, um tempo depois da morte da filha dela por difteria. Por isso, o trabalho é o que salva à mulher e ao marido – um trabalho silencioso em sua fazenda –, e um ano ao qual ela promete menos orgulho e mais esperança. Os tons pálidos da vida dela e do filme mudam com a chegada de Tallie no mês de fevereiro, quando o inverno parece ceder e a primavera em breve tomará conta.
 
Tallie acabou de se mudar com o marido para a fazenda vizinha e vive a mesma rotina maçante e asfixiante, sem muitas perspectivas a não ser plantar, cozinhar e ter filhos. Elementos como esses unem as mulheres, primeiramente numa amizade e, posteriormente, em algo que elas nem sabem direito o que é. Fastvold e a dupla de roteiristas não têm receio de assumir algo um tanto anacrônico: os sentimentos e a maneira como as protagonistas lidam com eles parecem pouco plausíveis para duas mulheres rústicas do século XIX, mas aí está a força de Um fascinante mundo novo: em abrir a essas duas mulheres possibilidades que seu tempo histórico não permitiria.
 
Waterston e Kirby formam um par que se complementa com performances, respectivamente, contida e esfuziante. Tallie é uma força da natureza, que traz a primavera à vida de Abigail, cuja função no filme é mais difícil do que a de sua companheira. Relutante, ela deverá se abrir a esse novo mundo que se apresenta. Fastvold, ciente dessa dicotomia, cria uma união na qual as duas figuras se completam e equilibram o filme com força e graça.

Alysson Oliveira


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