As Protagonistas - episódio 6

As Protagonistas - episódio 6

Ficha técnica

  • Nome: As Protagonistas - episódio 6
  • Nome Original: As Protagonistas - episódio 6
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Série documental
  • Duração: 27 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Tata Amaral
  • Elenco:

País


Sinopse

Na década de 1970, o feminismo inspirou a obra de diversas diretoras brasileiras, caso de Helena Solberg - que se radicou nos EUA -, Vera Figueiredo, Ana Maria Magalhães e Ana Carolina - que passou à ficção, realizando sua famosa trilogia, "Mar de Rosas" (1977), "Das Tripas Coração" (1982) e "Sonho de Valsa" (1987).


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/06/2021

Marcada pela censura e a opressão da ditadura militar no Brasil, a década de 1970 foi igualmente influenciada pela eclosão do movimento feminista ao redor do mundo. O feminismo foi decisivo para uma virada, em que diversas cineastas foram à luta para se expressar, colocando na tela os problemas e questões femininos, numa tomada de posição inclusive política.
 
Este foi o caso de Helena Solberg. Depois de ter feito no Brasil os curtas A Entrevista e Meio-Dia, a diretora foi para os EUA, onde criou o coletivo International Women's Film Project, integrado por mulheres de vários países. A partir dele, Helena dirigiu o documentário The Emerging Woman (1974), que percorreu 170 anos do movimento feminista nos EUA, tornando-se uma referência.
 
No Brasil, Vera Figueiredo também assinou Feminismo Plural (1976), um filme que discute a ideia, pioneira então, de que o feminismo não era um só, e sim muitos feminismos. Rapidamente tirado de circulação, o filme de Vera foi convidado a uma exibição no Festival de Cannes, onde continuou repercutindo.
 
Da mesma forma, a atriz e montadora Ana Maria Magalhães partiu para a direção com Mulheres de Cinema (1976), em que entrevistava pioneiras como a diretora Gilda de Abreu e colocava a ideia de uma equipe cinematográfica toda feminina - o que, nos sets da época, não existia. 
 
Uma equipe toda feminina em ação foi o que se viu em Dupla Jornada (1976), um outro documentário de Helena Solberg a partir de seu coletivo, que percorreu quatro países da América Latina para retratar a dupla exploração das mulheres, tanto pelo machismo, quanto por sua classe. O crítico Jean-Claude Bernardet apontou a primazia deste documentário ao colocar em cena o “outro de classe”.
 
Da mesma forma, o documentário Mulheres Metalúrgicas (1978), de Olga Futemma e Renato Tapajós, apontou sua câmera para esta camada de trabalhadoras a partir de um convite do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo do Campo, à época presidido por Luiz Inácio Lula da Silva. 
 
Entrevistada no documentário, Olga Futemma lembra que se tratava de um filme pensado para ser apenas um registro, como um cinejornal. Mas ela ambicionava ir mais longe. Afinal, as trabalhadoras reclamavam não só de ganharem salários menores, apesar de realizarem funções idênticas aos homens, como falavam de família, de seu lugar no mundo.
 
Nos anos 1970, também tem início uma das mais famosas e bem-realizadas trilogias do cinema brasileiro, assinada por Ana Carolina. A documentarista passou para a ficção, realizando Mar de Rosas (1977), uma ácida e também divertida visão de uma família disfuncional, formada por um casal em guerra (Norma Bengell e Otávio Augusto) e uma indomável filha adolescente, Belinha (Cristina Pereira). 
 
Permanecendo 12 semanas em cartaz, o filme permitiu que a diretora filmasse, na década seguinte, os outros dois integrantes da alentada trilogia: Das Tripas Coração (1982) e Sonho de Valsa (1987). Todos os três, com histórias marcadas por uma aguda visão das questões de gênero e dos dilemas da sociedade patriarcal.

Neusa Barbosa


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