A quem interessa a ignorância?

A quem interessa a ignorância?

Ficha técnica

  • Nome: A quem interessa a ignorância?
  • Nome Original: A quem interessa a ignorância?
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 75 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Alexandre Carvalho
  • Elenco:

País


Sinopse

Beneficiados por políticas públicas de inclusão que lhes permitiram graduar-se no ensino superior, a jornalista Lola Ferreira, o engenheiro Renan Campari e a professora Samara Viana viajam pelo Brasil, conhecendo projetos educacionais de referência na educação pública.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

31/05/2021

Filmado em 2018, o documentário realiza um diagnóstico de algumas experiências educacionais na rede pública de vários pontos do país, usando como seus guias três alunos beneficiados por programas de inclusão no ensino superior. 
 
A jornalista Lola Ferreira, o engenheiro civil Renan Campari e a professora de artes Samara Viana são esses três personagens que viveram na pele a dificuldade do acesso a uma universidade por não fazerem parte da elite econômica e são, portanto, bastante habilitados à avaliação destas experiências educacionais, num país que não cumpriu ainda a tarefa de colocar a educação ao alcance de todos os seus habitantes. Basta olhar os números: das pessoas entre 25 e 60 anos, mais da metade não terminou a educação básica e só 16% concluíram o ensino superior. Pior ainda, 11 milhões de brasileiros acima de 15 anos são analfabetos. 
 
Um dos bons exemplos visitados está no Ceará, estado que congrega 82 das 100 melhores escolas públicas do país. Entre elas, a Escola Maria Dorilene Arruda Aragão, em Sobral.
 
Na pequena Águas de São Pedro, a menor cidade do estado de São Paulo, está o melhor IDH municipal de educação do Brasil (0,825). Ali, uma única escola reúne cerca de 3.000 alunos, que têm acompanhamento de rendimento (com recursos como fonoaudiologia), e contam com uma piscina e refeitório com pratos de louça e talheres normais - o mais comum é que esses objetos sejam de plástico.
 
No Maranhão, na época do filme o estado ficava numa das últimas posições do PISA, IDH e IDEB. Nesse contexto, a precariedade de uma escola localizada num assentamento rural evidencia, por contraste, a tenacidade de seus mantenedores e dos próprios alunos para a sua existência. No assentamento Nova Jerusalém, em Pedro do Rosário, o salário às vezes não chega para a professora Marinês Barbosa e a auxiliar de educação Maria José Silva. Não raro, a professora tem que ir à escola a pé, andando por vários quilômetros. Não há merenda para os alunos, fora das frutas que se pode colher de árvores próximas. A sala de aula para duas classes diferentes é dividida por uma mera cortina, incapaz de proporcionar o isolamento acústico. 
 
Num outro segmento, mostra-se a boa experiência de escolas localizadas na periferia de São Paulo, como a EMEF Campos Salles, em Heliópolis, e a EMEF Amorim Lima, em Vila Indiana, que implantaram o modelo da Escola da Ponte, projeto do educador português José Pacheco, retirando as paredes e adotando um novo método de integração dos alunos abrindo mão da seriação tradicional e enfatizando o trabalho em conjunto. 
 
De olho nesses contrastes e contradições, os três personagens dirigem-se a Brasília, onde conversam com políticos de diversos partidos e tendências, dos progressistas Jean Wyllys e Vanessa Graziottin aos reacionários Marcos Feliciano e o futuro presidente, Jair Bolsonaro. Esses diálogos antecipam a polarização que, de lá para cá, acentuou-se no país, e de um aumento do descaso diante da educação - cujas verbas, logo depois da posse de Bolsonaro, em 2019, sofreram contingenciamento.

Neusa Barbosa


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