O último destino

O último destino

Ficha técnica


País


Sinopse

Max Isaksen é um agente de seguros cuja vida feliz com a mulher, Laerke, é abalada pela descoberta de um tumor incurável no cérebro. Depois de flertar com o suicídio, ele descobre que existe uma empresa, a Aurora, que proporciona serviços de suicídio assistido.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

31/05/2021

Há um elemento fantástico e perturbador neste drama sobre o suicídio assistido. Na história, o recurso à morte voluntária é transformado num serviço, disponível a clientes abonados em condições de contratar sua cerimônia final num hotel requintado, escondido no meio de montanhas e água - um isolamento que tem um quê de recolhimento e discrição, mas não tarda a revelar um aspecto sinistro.
 
O protagonista é Max Isaksen (Nikolaj Coster-Waldau), um agente de seguros de meia-idade que lida com os efeitos de um tumor incurável no cérebro. Depois de alimentar pensamentos - e tentativas - de suicídio, ele descobre a existência da Aurora, uma empresa que fornece serviços ligados ao suicídio assistido. Transformada em negócio, a morte contratada inclui a realização dos últimos ritos e fantasias do cliente, num ambiente asséptico, organizado segundo mecanismos perfeitamente controlados. Há um senão, porém: uma vez desencadeado o processo, o cliente não pode desistir, nem adiar a própria morte.
 
É assim que Max desembarca nesse hotel invernal, em que tem que abrir mão de suas roupas, celular e carteira, assumindo o traje comum a todos os hóspedes - um pijama. Cada um desses hóspedes têm a sua própria história, mas mal há tempo para que compartilhem alguma parte dela. Trata-se, afinal, de uma clientela de alta rotatividade.
Na história, desenvolvida a partir de uma ideia original de Rasmus Birch, há espaço para a criação de uma instalação de serviços povoada por monitores, assistentes, garçons e também atores e atrizes - que ali estão para interpretar alguns papéis requisitados pelos hóspedes para viverem seus últimos dias. 
 
A fotografia de Niels Thastum ressalta a frieza do lugar, no meio de rochedos e água, remetendo a um inverno dominante, que não recomenda passeios a pé - embora eles sejam possíveis. Tudo remete a uma ideia de controle absoluto, de domínio das circunstâncias e de entrega dos clientes a essa estrutura fornecedora da solução final que eles mesmos procuraram, por razões que só eles conhecem. Ainda assim, mesmo nesse contexto, ou talvez por causa dele mesmo, algo incontrolável, como o desespero, não raro invade, à procura de brechas que não são deixadas à disposição.
 
Ator no domínio de seu talento, Nikolaj Coster-Waldau encarna diversas etapas de uma jornada pontuada pelo desespero, a vontade de controlar as condições de uma morte inevitável, longe dos olhos de sua mulher, Laerke (Tuva Novotny), e outros impulsos que o próprio ambiente do hotel e seus hóspedes lhe sugerem. Não há como permanecer tão frio e contido quanto Max vinha se mantendo diante de reações eventualmente histéricas de outros hóspedes, como Jenny (Lorraine Hilton), ou da tristeza de alguém bem mais jovem do que ele, como Ari (Robert Aramayo). 
 
É das pulsões deste personagem central que a história se alimenta e cria outras camadas especialmente em sua porção final, que se permite mais subjetividade e fantasia do que o mero terror que em certas partes se infiltra. É como se sua jornada em direção à morte certa lhe permitisse romper a rigidez emocional que construiu em torno de si próprio, permitindo encontrar uma outra porção mais íntima das próprias escolhas.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança