Acqua Movie

Ficha técnica


País


Sinopse

Jonas é um jornalista que vive com o filho, Cícero, e está tendo problemas no casamento com Duda, que vive distante. A morte súbita dele traz Duda de volta para enfrentar problemas com o filho e encarar uma volta às raízes de Jonas, no Nordeste.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/05/2021

Em Acqua Movie, o sertão vira mar, em oposição ao sertão seco de seu antecessor, Árido Movie (2005) – ambos, dirigidos por Lírio Ferreira. Aqui, o diretor retoma o protagonista do outro filme, Jonas (Guilherme Weber), o homem do tempo num telejornal, numa rápida participação. Ele coloca a narrativa em movimento com sua morte, no início da trama, deixando um filho adolescente, Cícero (Antonio Haddad Aguerre), que morava com ele e agora precisa restabelecer laços com a mãe, Duda (Alessandra Negrini), uma documentarista obcecada por índios que mais viaja do que fica em casa.
 
Com roteiro assinado por Ferreira, Marcelo Gomes e Paulo Caldas, Acqua Movie mergulha num sertão profundamente transformado pela transposição do rio São Francisco, que submergiu a pequena cidade de Rocha, transferida para outro local e batizada de Nova Rocha. Foi lá que Jonas nasceu, e é para lá que Cícero quer viajar para jogar as cinzas do pai e conhecer suas origens. Duda se vê obrigada a parar uma produção e viajar com o filho, tentando, inclusive, uma reaproximação.
 
O olhar que pauta a narrativa é o do garoto, por isso tudo ganha tintas levemente exóticas e ingênuas. Da buchada de bode ao coronelismo – em especial, na figura do prefeito Múcio (Augusto Madeira, premiado como ator coadjuvante no Festival do Rio/2019), tio de Jonas – está tudo lá, pronto a ser desvendado por Cícero. São estruturas culturais e políticas profundamente enraizadas no local que se reinventam, tal qual Nova Rocha. Há questões que parecem jamais ser resolvidas, como a demarcação da terra indígena – um ponto que atrai Duda quando chega à região.
 
A paisagem local, sempre iluminada por um sol forte e um azul profundo, ganha dimensões de personagem. O rio transposto serve como uma metáfora para o poder político, que é capaz de passar por cima até da natureza – como bem se sabe nesse país – para atingir seus objetivos populistas. O prefeito, embora assumidamente caricato, é um dos personagens mais interessantes do longa, interessado em fazer politicagem com tudo – inclusive com as cinzas de Jonas, que se tornou uma espécie de celebridade local.
 
Há um trânsito muito claro no filme entre o naturalismo e o artificialismo, seja nas imagens, ou, novamente, no curso do rio. É como se Acqua Movie buscasse uma dimensão do presente do país em si, tentando captar a força histórica que nos moveu no intervalo entre ele e seu antecessor, Árido Movie, de 2005. A dialética se estabelece não apenas entre o molhado e o seco do título, que reflete o estado de Rocha, mas também na maneira como o diretor narra, nas contenções e avanços dos filmes, e do país.
 
Clique aqui para ler a entrevista com o diretor, Lírio Ferreira


Trailer


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