The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade

The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade

Ficha técnica


País


Sinopse

Cora é uma escrava numa plantação de algodão no sul dos EUA antes da Guerra de Secessão. Apesar de resistente, ela acaba fugindo e, com a ajuda de abolicionistas, tenta chegar ao norte do país, onde será livre.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/05/2021

Conhecidas como Underground Railroads, ou Ferrovias Subterrâneas, as rotas de fugas de escravos fugidos do sul dos EUA, em meados do século XIX, que rumavam para o norte, não eram ferrovias, nem subterrâneas. Mas o escritor Colson Whitehead imaginou: e se fossem? E assim criou um dos grandes romances americanos contemporâneos, ganhador do Pulitzer em 2017, e que serve de base para a série The Underground Railroad: Os Caminhos Para a Liberdade. Dirigida por Barry Jenkins (Moonlight), reúne 10 episódios, cujas durações variam entre pouco mais de 70 e 20 minutos.
 
The Underground Railroad é uma combinação de fantasia – algo diferente de fantasioso, não há seres mágicos etc – com realismo. Bastante fiel ao livro, a série imagina como seria se essa rede de trilhos subterrâneos existisse literalmente e conduzisse os fugitivos e as fugitivas para um lugar seguro. Na verdade, a “railroad” era uma rede de simpatizantes que abrigavam os escravos em pontos estratégicos rumo ao norte do país.
 
Na imaginação literal de Whitehead e Jenkins, um condutor do trem diz à protagonista, Cora (a estreante Thuso Mbedu), quando ela está prestes a embarcar no trem: “Apenas olhe ao redor enquanto o trem corre e você verá a verdadeira face da América.” Essa ideia parece permear a série toda, mostrar os EUA desnudos, por meio da história de uma escrava fugitiva e perseguida. Obviamente, tanto Whitehead quanto Jenkins estão interessados em fazer a ponte do passado com o presente – não por acaso, boa parte dos episódios encerra-se com músicas contemporâneas, inclusive a famosa This is America, do Childshi Gambino, praticamente contemporânea ao romance.
 
A série se inicia num momento anterior à Guerra de Secessão, quando Cora vive numa fazenda de algodão e tem medo de fugir – ela é assombrada pela fuga de sua mãe (Sheila Atim), que a deixou quando pequena, e nunca mais se soube dela. Mas, depois de presenciar tantas atrocidades, ela não vê outra escolha, e acaba convencida por um rapaz que acaba de chegar, Caesar (Aaron Pierre). É quanto tomarão contato com a ferrovia, mas cada segmento da jornada significa presenciar novos horrores e aumentar o medo.
 
Ridgeway (Joel Edgerton) é um caçador de escravos que considera a captura de Cora como uma questão, acima de tudo, pessoal – ele não conseguiu capturar a mãe dela, por isso recuperar a jovem é um caso de honra para ele. Em companhia dele, está Homer (Chase W. Dillon, uma das grandes revelações da série), um menino e ex-escravo que o ajuda na captura dos fugitivos.
 
Como o romance original tem uma estrutura de episódios, é bem mais natural que seja adaptado a uma série ao invés de um filme. Jenkins, também responsável pelo desenvolvimento do roteiro, com uma equipe, aproveita esse elemento e constrói cada capítulo em torno de incidentes específicos, que acrescentam novas camadas à jornada da protagonista. Cora se depara com um mundo novo – de negros que deduram uns aos outros (vide o pequeno Homer) a brancos repletos de boas intenções, mas incapazes de superar a estrutura sócio-histórica em que estão inseridos.
 
Ao contrário de Cora, que precisa correr sempre, a série não tem pressa, está disposta a manter seu ritmo próprio. Trabalhando com o diretor de fotografia James Laxton e o compositor, Nicholas Britell, ambos parceiros de Jenkins em seus dois longas, o diretor cria uma atmosfera que transita entre a poesia e a crueldade do mundo. As imagens chegam a ter um quê de etéreas, mas sempre entrecortadas pela dura realidade de Cora.
 
The Underground Railroad não é uma série fácil, sendo pouco provável assistir-se a muitos episódios de uma só vez. Ela demanda atenção, e o que mostra é doloroso e impressionante demais, precisando de um bom tempo para se digerir o que foi visto. Porém, ela terá muito a dizer a quem se comprometer às suas dez horas de duração.

Alysson Oliveira


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