As protagonistas - episódio 4

As protagonistas - episódio 4

Ficha técnica

  • Nome: As protagonistas - episódio 4
  • Nome Original: As protagonistas - episódio 4
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Série documental
  • Duração: 26 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Tata Amaral
  • Elenco:

País


Sinopse

Apesar da repressão e da censura nos anos 1970 no Brasil, as mulheres produziram como nunca antes seus curtas, vídeos e longas. Entre eles, Tereza Trautman, Lenita Perroy, Luna Alkalay e Rose La Creta.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/05/2021

Depois dos anos 1960, quando a presença das mulheres atrás das câmeras no Brasil permaneceu muito restrita, a década seguinte registrou um avanço considerável nessa presença feminina. Nada menos de 200 curtas, vídeos e longas assinados por mulheres foram feitos no período, que foi marcado pelo enfrentamento com a ditadura civil-militar, radicalizada com a decretação do AI-5, em 1968.
 
Apesar de toda a repressão e do recrudescimento da censura, as mulheres criaram. Entre elas, destacou-se Tereza Trautman que, aos 22 anos, escreveu e dirigiu a comédia de costumes Os Homens que eu Tive (1973). Um sucesso de bilheteria nos cinemas durante seu curto lançamento, o filme deveria ter sido estrelado por Leila Diniz. Mas a atriz morreu num desastre de avião e acabou substituída por Darlene Glória. Darlene interpreta Pity, a protagonista que, mesmo casada, envolve-se com vários homens.
 
Em cartaz por dois meses em cinemas no Rio de Janeiro e Minas Gerais, o filme deveria ser lançado também em S. Paulo quando a suposta denúncia de uma espectadora levou à sua interdição - mesmo tendo sido liberado pela censura, que apenas determinou alguns cortes. 
 
Entrevistada no documentário, Tereza Trautman relembra a luta para tentar liberar o filme, inclusive sugerindo-se trocar seu título -  apesar de que não tinha nada de chocante em plena era da pornochanchada. Se havia novidade na história, é que era a mulher a dona da iniciativa por sua sexualidade, inclusive relacionando-se com outras mulheres, e isto pareceu chocar a moral conservadora de alguns. 
 
O fato é que a interdição do filme cortou também a carreira como diretora de Tereza, que tinha um segundo projeto engatilhado, já com financiamento, que foi abortado devido ao bloqueio de seu filme de estreia. 
 
A ditadura, no entanto, tinha bem claras a força e repercussão do cinema, motivando a criação da Embrafilme em 1969. Dentro de um modelo altamente centralizado e controlador, a empresa foi, no entanto, responsável pela realização de diversos filmes. Na produção da época, foram realizados vários títulos de estilos diferentes dirigidos por mulheres, caso de Mestiça, a escrava indomável, de Lenita Perroy; Cristais de Sangue, de Luna Alkalay; e Encarnação, de Rose La Creta. 
 
Encarnação e também Os Homens que eu Tive, aliás, foram dois dos filmes convidados a um festival de cinema feminino ocorrido em New Orleans, nos EUA, em 1976, um evento que marca igualmente o nascimento de uma nova consciência sobre o papel da mulher no mundo - uma influência direta de uma conferência da ONU em 1975, na cidade do México, que marcou o Ano Internacional da Mulher e definiu também a Década da Mulher (1975-1985).

Neusa Barbosa


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