Noite e Neblina

Noite e Neblina

Ficha técnica

  • Nome: Noite e Neblina
  • Nome Original: Nuit et Brouillard
  • Cor filmagem: Colorida e Preto e Branco
  • Origem: França
  • Ano de produção: 1956
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 36 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Alain Resnais
  • Elenco:

País


Sinopse

Alternando imagens dos campos de concentração em 1955, dez anos depois da II Guerra, e flagrantes da deportação e do massacre de milhões de judeus e outros perseguidos pelos nazistas, o documentário foi um dos primeiros a retratar diretamente o Holocausto, a partir de documentos colhidos em arquivos alemães, poloneses e franceses.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/05/2021

Um nome tão poético quanto Noite e Neblina sugeriria, a desavisados sobre o tema do filme, alguma história suave ou romântica. O termo, no entanto, remete a uma ameaça do comandante nazista Heinrich Himmler contra quem combatesse seu regime - e que estaria, segundo seus macabros delírios, fadado a desaparecer “na noite e neblina”.
 
Àquela altura acumulando os créditos de uma série de documentários curtos, antes ainda de realizar suas marcantes ficções - Hiroshima, meu amor (1959), O ano passado em Marienbad (1961), Providence (1977)  e outros - ,o cineasta Alain Resnais assumiu a condução deste documentário também curto na duração, mas de uma intensidade e concisão exemplares. Para atravessar um tema de uma violência intolerável, dura de encarar, ele recorre ao melhor das artes, dispondo de um texto narrado em off do escritor Jean Cayrol - um sobrevivente dos campos de concentração - e música delicada, orquestrada por Georges Delerue. 
 
Essa moldura estrutura imagens de diversos arquivos, dando conta do horror perpetrado durante a II Guerra Mundial nos campos de concentração e nos trens que conduziam a eles, focalizando a deportação em massa daqueles milhões de pessoas que eram consideradas descartáveis e inimigas do III Reich. Nas contas apresentadas aqui, chegando a 9 milhões de pessoas - os 6 milhões de judeus e outros 3 milhões de mortos sob o regime nazista. 
 
Sublinhando as imagens, o texto de Cayrol - que foi trabalhado também por Chris Marker, um dos diretores-assistentes -, destaca a frieza e eficiência do projeto nazista de construção dos campos, planejados como estádios ou estações, em estilos variáveis, visando a sua macabra utilização. Mais um lembrete da banalidade do mal, a expressão precisa da pensadora Hannah Arendt.
 
Percorrendo estes barracões, estes dormitórios agora vazios e cercados da erva verdejante, que voltou a crescer, evoca-se o medo contínuo que era construído ali dentro, em que milhões de pessoas, de vários países, se acotovelavam, sem alimentação ou vestuário suficiente nem adequado, trabalhando exaustivamente, dentro de um projeto de cujos frutos se apropriaram também várias indústrias alemãs. Havia método e propósito na carnificina em série, cuja profusão de cadáveres também são mostrados no filme, numa franqueza que visa lembrar do que os seres humanos foram e ainda são capazes.
 
Se há um objetivo em reexibir sempre este poderoso filme é que não se esqueçam estes crimes contra a humanidade. Como lembra o texto de Cayrol, não se deve achar que a peste totalitária terminou ali, naquele tempo e lugar. Ao olhar em volta, acentua ele, “escuta-se um grito sem fim”. 
 
Na própria época do lançamento de Noite e Neblina, a França entrava na intervenção na Argélia, numa guerra sangrenta que acumularia em breve suas próprias torturas, massacres e abusos. Não escapou a Resnais, nem a Cayrol, que seu filme deveria servir como alerta permanente.

Neusa Barbosa


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