As Protagonistas - episódio 3

As Protagonistas - episódio 3

Ficha técnica

  • Nome: As Protagonistas - episódio 3
  • Nome Original: As Protagonistas - episódio 3
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Série documental
  • Duração: 30 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Tata Amaral
  • Elenco:

País


Sinopse

No terceiro episódio da série, o foco está nas autoras dos anos 1960 - como Adélia Sampaio, Helena Ignez, Helena Solberg, Lygia Pape, Ana Carolina e outras.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/05/2021

O terceiro episódio da série dirigida por Tata Amaral aborda as autoras dos anos 1960, recorrendo a diversas entrevistas. A primeira delas, com Adélia Sampaio, a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil (Amor Maldito, 1984), e que entrou para o mundo do cinema mais de 20 anos antes disso, como telefonista da distribuidora Difilm. “Me vi no meio do Cinema Novo”, comenta ela, uma self made woman guerreira como poucas.
 
Principal movimento cinematográfico dos anos 1960, o Cinema Novo ficou marcado também por ser um fechado Clube do Bolinha - em que pese que diversas mulheres tiveram participações efetivas em filmes do período. Esse foi o caso da atriz e diretora Helena Ignez. Mulher de Glauber Rocha em meados dos anos 1950, ela protagoniza, coreografa e participa da trilha sonora do pioneiro curta assinado por ele, O Pátio (1959), numa não assumida coautoria. 
 
Apesar de ser um curta de não mais de 20 minutos, A Entrevista, obra de estreia da diretora Helena Solberg, realizado em 1966, mostrou-se um filme de ousadia e relevância ao entrevistar cerca de 70 jovens mulheres, entre 19 e 27 anos, falando sobre casamento, corpo, sexo, maternidade. Como lembra Helena, eram assuntos tão tabu ainda naquela época que a esmagadora maioria das entrevistadas não quis mostrar seu rosto - muitas temeram mesmo deixar que registrada sua voz. A solução foi criar uma camada ficcional, com imagens de uma noiva preparando-se para o casamento, cuja intérprete, aliás, foi a única que assumiu mostrar sua face. 
 
Sempre lembrada como uma excepcional artista plástica, Lygia Pape deixou para trás um trabalho não menos notável como designer de cartazes, tendo a seu crédito obras feitas para os filmes Mandacaru Vermelho, Vidas Secas, Ganga Zumba, Deus e o Diabo na Terra do Sol, A Falecida, O Desafio e muito mais. 
 
Poucas cineastas têm a seu crédito uma obra tão singular e original quanto Ana Carolina Teixeira Soares, que se iniciou no cinema em 1968, assinando argumento, roteiro e música do curta Lavra-dor, de Paulo Rufino, pouco depois seguido de seu primeiro curta documental, Indústria. Tudo isso, preparando o caminho daquela que assinaria, anos depois, a incontornável trilogia sobre a condição feminina formada por Mar de Rosas (1978), Das Tripas Coração (1982) e Sonho de Valsa (1987). 
 
Mesmo numa década que terminou estrangulada pela decretação do AI-5, outras mulheres notáveis assinaram nos anos 1960 seus primeiros curtas, caso de Gilda Bojunga e Suzana Amaral. 

Neusa Barbosa


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