Carne trêmula

Carne trêmula

Ficha técnica


País


Sinopse

Jovem impulsivo, Victor se apaixona por Elena, mas ela não quer nada com ele. Numa noite em que ele invade o apartamento dela, um incidente envolvendo uma arma e dois policiais, David e Sancho, muda drasticamente a vida de todos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/05/2021

Poucas vezes em sua carreira Pedro Almodóvar adaptou material alheio, como aconteceu em Carne Trêmula. Ele se baseou no livro policial e premiado da autora inglesa Ruth Rendell, assimilando seu enredo de maneira a transformá-lo à sua maneira, numa roda de paixões frustradas, traições, rancores mal resolvidos e vinganças à flor da pele. 
 
O filme começa com o nascimento de Victor, filho da prostituta Isabel Plaza (Penélope Cruz), que dá à luz dentro de um ônibus em Madri, em janeiro de 1970, em vigência do Estado de Exceção decretado pelo ditador Francisco Franco. 
 
Décadas depois, o agora adulto Victor (Liberto Rabal), que ganhou por toda a vida o direito de andar de graça no ônibus, assim como sua mãe, tornou-se um jovem impulsivo. Conhecendo numa noite de sexo a jovem Elena (Francesca Néri), ele ficou obcecado por ela, insistindo em importuná-la, apesar de ela o dispensar pelo telefone. Sua intrusão no apartamento de Elena vai causar o incidente com um revólver que envolve os policiais Sancho (José Sancho) e David (Javier Bardem) e coloca Victor por alguns anos na prisão.
 
Há uma complexa rede de paixões envolvendo estes três homens, Elena e também a mulher de Sancho, Clara (Ángela Molina). As obsessões que movem cada um deles e a alternância de posições entre si cria um jogo altamente arriscado, de vida e morte, instaurando uma instabilidade em que, a todo momento, não se sabe onde a situação seguinte vai dar. 
 
O comando de Almodóvar sobre estas tensões revela um dos melhores momentos de seu estilo, extraindo interpretações precisas de todos os integrantes do elenco, que incorporam as camadas de seus personagens com uma entrega e um vigor admiráveis. Mais uma vez na obra de Almodóvar, traduz-se uma pulsão de morte e vida no limite, numa história em que a ordem é nunca duvidar do que o coração comanda, por mais extremo que isto se revele.

Neusa Barbosa


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