Maus hábitos

Maus hábitos

Ficha técnica


País


Sinopse

Yolanda Bel é cantora de boate e seu namorado é um drogado. Quando ele morre de repente, ela desaparece, temendo que a polícia venha atrás dela. Aí encontra refúgio no convento da Comunidade das Redentoras Humilhadas, em que, a começar da madre superiora, não há uma religiosa convencional.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/05/2021

Nunca se viu um convento como a Comunidade das Redentoras Humilhadas, o cenário de Maus hábitos, a venenosa comédia dramática em que Pedro Almodóvar reuniu algumas das freiras mais originais da história do cinema. Começando pela madre superiora (Julieta Serrano), uma mulher fissurada na figura de pecadoras - sua parede é forrada de fotos de atrizes sensuais, como Brigitte Bardot e Marilyn Monroe - que mal disfarça sua atração por outras mulheres e seu vício por heroína. 
 
Completam o time religiosas igualmente anticonvencionais, como irmã Perdida (Carmen Maura), dedicada a inúmeros animais, inclusive um tigre; irmã Rata de Esgoto (Chus Lampreave), que escreve sob pseudônimo livros eróticos; irmã Esterco (Marisa Paredes), uma assassina foragida e viciada em ácido; e irmã Víbora (Lina Canalejas), uma exímia figurinista de roupas que nada têm de hábitos religiosos. 
 
É nesse ambiente singular que encontra refúgio outra alma perdida, a cantora da noite Yolanda Bel (Cristina S. Pascual). Fugindo da polícia depois que seu namorado junkie morreu de uma aparente overdose, ela procura a madre, que é sua fã e a recebe de braços abertos, satisfazendo sua queda para acolher pecadoras bonitas. E lhe destina o melhor quarto do convento, que pertencia a Virginia, a filha do marquês que apoiava financeiramente as monjas, ela morta ao engajar-se numa missão na África. E, depois da morte também do marquês, sua víúva (Mari Carillo), parece mais disposta em gastar o dinheiro para divertir-se ao lado de homens mais jovens do que financiar as Redentoras Humilhadas. 
 
Almodóvar aqui se exercita entre a comédia irônica, não desbragada, e um veio sombrio, que cultiva uma muito hispânica pulsão pela morte, que se verá mais desenvolvida em filmes posteriores, como Matador (1986) e A Lei do Desejo (1987). 
 
Além disso, Maus Hábitos cria um universo muito particular, em que a transgressão das normas estabelecidas pela moral e a religião é filtrada pela compreensão humana e embalada por muitos boleros - como Sali por que Sali, de I. Curel Alonso (cantado por Sol Pilas), Dime, de Morris Albert, e Encadenados, de Carlos Arturo Briz, na voz de Lucho Gatica, este uma paixão em comum entre a madre e Yolanda.

Neusa Barbosa


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