As Protagonistas - episódios 1 e 2

Ficha técnica

  • Nome: As Protagonistas - episódios 1 e 2
  • Nome Original: As Protagonistas
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Série documental
  • Classificação: Livre
  • Direção: Tata Amaral
  • Elenco:

País


Sinopse

No primeiro episódio da série, "Pioneiras!", resgata-se a figura de Cléo de Verberena, primeira diretora de um filme no Brasil, e das atrizes e diretoras Carmen Santos e Gilda de Abreu. No segundo episódio, "Onde estão as mulheres?", nos anos 1950, examina-se o trabalho da italiana Maria Basaglia, Zélia Costa, Sonia Shaw e Aurora Duarte.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/05/2021

Constituída de 13 episódios, a série As Protagonistas, de Tata Amaral, propõe-se a contribuir para preencher algumas das mais sérias lacunas na história do cinema brasileiro - a participação das mulheres como produtoras, diretoras e roteiristas, além de atrizes. 
 
Partindo de uma pesquisa cuidadosa e com uma linguagem acessível, a série parte, em seu primeiro episódio, Pioneiras!, de uma curta reflexão sobre o processo de invisibilização das mulheres, não só no Brasil, já nos primórdios do cinema, lembrando a figura da francesa Alice Guy Blaché, responsável pelo primeiro filme com enredo e elenco, A fada do repolho (1896), e assinando mais de 600 filmes como produtora, diretora e roteirista. Mesmo assim, só muito recentemente ela teve seu papel reconhecido por pesquisadores.
 
No Brasil, o posto de pioneira pertence a Cléo de Verberena, pseudônimo da paulista Jacira Martins da Silveira, produtora e criadora da Épica Filme, e também protagonista e diretora do primeiro filme conduzido por uma mulher, o suspense O mistério do dominó preto (1930). Um filme infelizmente perdido, mas cuja documentação e cobertura da imprensa da época aponta como um enredo que desafiou alguns clichês moralistas de então, com uma protagonista casada, que sai ao encontro de um amante no Carnaval e cujo final divergia do tom punitivista do livro em que se inspirava.
 
O episódio das pioneiras não poderia deixar de fora a atriz, produtora e diretora Carmen Santos, nascida em Portugal e radicada no Rio de Janeiro. Estrela de Sangue Mineiro (1929), de Humberto Mauro, ela fundou produtoras como a Filmes Artísticos Brasileiros e a Brasil Vita Filme, nesta última associando-se a Humberto Mauro na produção do sucesso dirigido por ele, Favela dos Meus Amores (1935). Além disso, ela dirigiu Inconfidência Mineira (1940), um projeto ambicioso em termos financeiros e políticos, outro filme infelizmente perdido.
 
Não poderia faltar igualmente a escritora, dramaturga, roteirista, atriz e cantora Gilda de Abreu, diretora de O Ébrio (1948), por décadas o maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro. 
 
No segundo episódio da série, Onde estão as mulheres?, chega-se aos anos 1950, época em que no Brasil surgem estúdios de porte, como Cinédia e Atlântida, no Rio de Janeiro, e Vera Cruz, em São Paulo, de cujos sets, no entanto, as mulheres praticamente desaparecem. Como lembra o montador e pesquisador Máximo Barro, na época as mulheres eram reduzidas a pouquíssimas funções, como script girl e guarda-roupeira.
 
Na diáspora produzida após a II Guerra, no entanto, desembarcam no país profissionais experimentadas em sua terra natal, como a italiana Maria Basaglia, a primeira mulher a dirigir na famosa Cinecittà de Roma, nos anos 1954 e 1955. No Brasil, Maria dirigiria dois filmes, o melodrama O Pão que o Diabo Amassou (1957) - do qual se mostram algumas cenas - e a comédia Macumba na Alta (1958). Junto com o marido, Marcelo Albani, ela chegou a montar uma empresa de dublagem, mas acabou retornando à Itália em 1964. Sobre o casal, pairam muitas dúvidas, especialmente por suas simpatias fascistas, além de outras controvérsias à espera de serem esclarecidas.
 
Nessa década tão despovoada de mulheres diretoras no Brasil, surge também o nome de Zélia Costa, exímia montadora de filmes como Os Cafajestes, de Ruy Guerra, e que dirigiu, em 1962, seu primeiro e único filme, As Testemunhas não Condenam - do qual restam, infelizmente, somente alguns fotogramas. Pior sorte teve a coreógrafa norte-americana Sonia Shaw, que dirigiu no Brasil Samba Sexy, do qual nada sobrou. 
 
Espírito de pioneira também não faltou à atriz pernambucana Aurora Duarte, que passou a produzir, escrever e dirigir filmes como A morte comanda o cangaço (1961). O fato é que falta muito a descobrir sobre a trajetória das mulheres do cinema brasileiro, tarefa a que esta série muito oportunamente vem contribuir.
 
O episódio 1 (duração: 27 min) terá exibições no Cine Brasil TV neste domingo (9-5), 18h30; na quarta (12-5), 13h; e na sexta (14-5), 22h. O episódio 2 (duração: 20 min) estreia no sábado (8-5), às 21h, com reprises na segunda (10-5), 9h30, e na sexta (14-5), 11h30. 

Neusa Barbosa


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