Red Moon Tide

Red Moon Tide

Ficha técnica


País


Sinopse

Num pequeno vilarejo no litoral galego, o tempo parece estar em suspenso. Bruxas, monstros, embarcações encalhadas se transformam com a chegada de um trio de mulheres em busca de um marinheiro chamado Rubio.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/04/2021

Red Moon Tide é um filme de beleza e poesia visual que convida a entrar em seu mundo próprio, onde mito, fantasia e loucura parecem coexistir nas mesmas proporções. Seu criador é o espanhol Lois Patiño, um artista multimídia que assina aqui seu primeiro longa de ficção e anuncia a chegada de um cineasta a se prestar atenção.
 
A mitologia de um vilarejo costeiro no norte da Espanha serve como inspiração com acontecimentos enigmáticos e sobrenaturais. Não é de se surpreender que a fotografia, também assinada pelo diretor, seja carregada de tons vermelhos, além de imagens inspiradas em pinturas dos séculos XVII e XIX – em especial, as paisagens do alemão Caspar David Friedrich e um quadro específico de Jean-Francois Millet, Angelus, que retrata um casal rezando num campo, onde o que plantaram parece não frutificar. É a estagnação da cena que chama a atenção do diretor, como se os personagens fossem capturados num momento de profunda intimidade espiritual e exasperação.
 
Red Moon Tide é composta de tableaux vivants de personagens paralisados, como se uma praga tomasse conta do vilarejo depois do desparecimento de um pescador local, Rubio (Rubio de Camelle), cujo corpo foi clamado pelo mar quando seu barco naufragou. A narrativa se abre, então, lentamente por meio de monólogos interiores e silêncios, enquanto a câmera acompanha a paisagem natural e artificial abandonada à própria sorte.
 
Bruxas cobertas por panos brancos entram em cena, andando pelo lugar, realizando rituais, e o cenário do vilarejo se torna tão importante quanto as personagens. O filme é de uma calculada claustrofobia a céu aberto, num lugar esquecido pelo tempo, tomado por superstições e o sobrenatural.
 
Patiño parece saber que um filme como Red Moon Tide não pode ser longo. Suas elucubrações vermelhas sobre tempo, espaço, vida, morte e o sobrenatural, e, em especial, sua estética poderiam tornar-se cansativas se o filme fosse muito longo. Assim, ele faz a obra ideal – com 85 minutos –, mantendo toda sua força sem que ela se dissipe por um segundo.


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