Amores Expressos

Amores Expressos

Ficha técnica


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Sinopse

O policial 223 acaba de levar um fora da namorada, May. Ele tenta superar a desilusão procurando rapidamente um novo amor, mas se envolve com uma gângster dúbia, que não tira os óculos escuros. E o policial 663 namora uma aeromoça, enquanto a garçonete do bar que ele frequenta, Faye, sonha com ele.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/04/2021

Os policiais durões dos filmes noir norte-americanos não darão as caras neste que foi um dos primeiros filmes do diretor Wong Kar-wai a chamar a atenção internacional. Aqui, os dois policiais que aparecem não têm controle de nada, muito menos dos próprios sentimentos. O próprio Kar-wai ainda não exercita a languidez de seu habitual domínio das imagens, apostando numa voragem que embaralha velozmente texturas, referências, sinais, metaforizando, como sempre, o cinema e a própria vida.
 
Duas histórias se sucedem no cenário de uma Hong-Kong plena de luzes, bares, becos. A primeira tem como protagonista o policial Ho Chi Moo, ou 223 (Takeshi Kaneshiro), que tenta curar a decepção do fora que levou da namorada impondo-se encontrar outra paixão o quanto antes. Cruza seu caminho uma moça de peruca loura, óculos escuros e capa de chuva (Brigitte Lin), um misto de femme fatale e gângster azarada. Está feito o par improvável da primeira história.
 
Na segunda, outro policial, o 663 (Tony Leung Chiu wai, de Amor à Flor da Pele) frequenta diariamente uma lanchonete em que o dono (Jinquan Chen) é um conselheiro sentimental dedicado. O tira está envolvido com uma aeromoça (Valerie Chow), outra profissão que remete a ligações breves, esporádicas. A garçonete, Faye (Faye Wong), fissurada pela música California Dreamin’, dos The Mamas and the Papas, está de olho no 663. Quando a aeromoça deixa no bar uma carta e uma chave para o policial, é a chance de Faye entrar escondido no apartamento dele, dedicando-se a um curioso jogo à distância que oferece algumas das melhores cenas do filme.
 
A narrativa é fragmentada, não só em termos de imagens, texturas, como de situações e objetos, ilustrando o caráter passageiro de tudo que envolve estes personagens, sua própria trajetória na vida, tão fluida quanto as imagens do cinema, as referências de gênero, os toques sutis de humor e delicadeza que surgem nas pequenas coisas, nas pequenas cenas - como quando o policial 223 tira os sapatos de sua musa adormecida para limpá-los.
 
Amores Expressos, um raro título feliz na tradução, não tem pretensão maior do que fazer este jogo de espelhos, este esconde-esconde entre os personagens, este quase brinquedo visual de um filme produzido rapidamente, em apenas 23 dias, enquanto o diretor realizava Cinzas do Passado - que tem outro ritmo e temperatura, já afirmando mais um estilo que o diretor aperfeiçoaria em Amor à Flor da Pele e 2046.

Neusa Barbosa


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