Radioactive

Radioactive

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois de abandonar sua terra natal, a Polônia, a cientista Maria Salomea Skłodowska procura melhores condições de trabalho na França, mas ainda enfrenta uma sociedade xenófoba e machista, que começa a lhe dar atenção apenas depois de casar-se com outro cientista, Pierre Curie.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/04/2021

A cada novo filme, a quadrinhista e cineasta Marjane Satrapi faz parecer que sua estreia no cinema, Persépolis (codirigido por Vincent Paronnaud), foi sorte de iniciante. O que havia de sagaz e iluminado no longa de animação, adaptado de sua HQ, parece ter sumido, e seu novo filme, Radioactive, parece o oposto – arrastado, reverente e claustrofóbico, aparentando não confiar muito na capacidade do público.
 
O longa é uma cinebiografia da cientista polonesa Marie Curie, nascida Maria Salomea Skłodowska, interpretada por Rosamund Pike. Radioactive cai em todas as armadilhas em que as cinebiografias empoeiradas costumam cair, a começar pelo fato de não tratar sua protagonista como humana, mas uma mártir, destituindo o que poderia haver de mais interessante nela. A vida da física e química é repleta de acontecimentos mas, trabalhando com um roteiro de Jack Torne, a partir da biografia escrita por Lauren Redniss, Satrapi é incapaz de fugir de uma dimensão mítica, que transforma Curie numa espécie de sofredora em nome da ciência.
 
Não que Curie, cujo sobrenome adquiriu ao se casar com o também cientista Pierre Currie (Sam Riley), não seja uma espécie de ícone do feminismo, superando os limites de uma sociedade ainda mais machista do que a nossa na França do começo do século passado. Mas interessa mais quem é a mulher Marie Curie do que a mártir, e Satrapi é incapaz de encontrar essa dimensão. Desde o começo, vemos a protagonista lutando bravamente contra uma sociedade que não valoriza seu trabalho e seus esforços. E isso não muda com o tempo – seu marido precisa pedir que incluam seu nome quando ele ganha o Nobel de Física em 1903.
 
Radioactive é também o tipo de filme no qual figuras históricas precisam ser anunciadas com o nome completo para que o público saiba que são figuras históricas, então aparecem diálogos do tipo: “Bom dia, Marie Curie!”, “Bom Dia, Pierre Currie!”. Mas talvez o maior equívoco seja desprezar a inteligência do espectador. Satrapi sente que precisa entregar tudo mastigado e digerido. Quando Pierre faz seu discurso de aceitação do Nobel, fala sobre os perigos do material radioativo se cair nas mãos erradas. A cena é entrecortada por outra, situada em 1945, na qual são mostrados Hiroshima e o avião Enola Gay (ambos devidamente identificados com letreiros) jogando a bomba atômica que destruiu a cidade. Em outros momentos, Satrapi se vale da fantasia, e as cenas soam ainda mais deslocadas.
 
Pike, que já deu provas suficientes de ser uma grande atriz, é forçada a uma personagem que atravessa o filme descabelada e consternada, sempre sofrendo, sempre tendo de bater de frente. Curie foi uma grande mulher, que lutou contra uma sociedade xenofóbica e machista da Paris dos anos de 1900, mas aqui é limitada à sua martirização a tal ponto que seu sofrimento soa gratuito e sua ambição como cientista, forçada.

Alysson Oliveira


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