Lili Marlene

Lili Marlene

Ficha técnica


País


Sinopse

Walkie é uma cantora alemã de cabaré, que se envolve com um judeu suíço que participa do movimento antinazista. Ela grava uma canção, "Lili Marleen", que se torna um ícone dos nazistas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/04/2021

Lili Marlene foi lançado em 1981. Seu roteirista e diretor, o alemão Rainer Werner Fassbinder, ainda faria outros quatro longas antes de sua morte precoce em 1982, aos 37 anos. Nem sempre incluído entre suas obras-primas, é de seus trabalhos mais interessantes, no qual investiga a relação entre cultura e a história de seu país, convergidas em uma música de sucesso que dá título ao filme.
 
Hanna Schygulla, musa e amiga próxima do diretor, interpreta Willie, uma cantora cuja trajetória é um paralelo à ascensão e queda do nazismo. O ano é 1938, e a protagonista é uma cantora de cabaré, que se apaixona por Robert (Giancarlo Giannini), um judeu suíço que faz parte do movimento antinazista. Sem envolver-se politicamente, para não correr risco, ela o apoia.
 
A fama dela vem quando grava uma música bem famosa, Lili Marlene, originalmente um poema de 1915 que se tornou célebre quando gravada por Lale Andersen, atingindo o sucesso quando entrou na programação da Rádio Militar, depois da invasão da Iugoslávia pelos nazistas, em 1941. A cantora teve uma vida controversa. Lili Marlene foi proibida por Goebbels, por ser triste demais, e a cantora deixou de se se apresentar por meses. Ela também era amiga próxima de um compositor judeu, o que complicou sua situação, que só melhorou quando regravou a música numa versão usada para propaganda.
 
Alguns anos depois, Marlene Dietrich, também a gravou, sendo usada pelos Estados Unidos como propaganda para enfraquecer os soldados inimigos. Ou seja, foi uma música que serviu tanto aos propósitos do Eixo quanto dos Aliados. Por isso, é bem sintomático que Fassbinder escolha essa canção para um papel central em seu filme – inclusive emprestando-lhe o título.
 
A história de Willie não é um espelho direto da trajetória de Andersen, embora Fassbinder pareça ter tomado alguns elementos emprestado. O apelido da cantora era Wilke, bem próximo do nome da personagem. O roteiro toma diversos caminhos, acompanhando a trajetória de sua personagem, mas o mais forte dele, fora o entrecho amoroso, é o desejo de sobrevivência inerente ao ser humano, independente do regime político em que está inserido.
 
Fassbinder coloca na estética as estratégias típicas de seus melodramas, como O casamento de Maria Braun (também protagonizado por Schygulla), O desespero de Veronika Voss e Lola. Trabalhando com os diretores de fotografia Xaver Schwarzenberger e Michael Ballhaus – dois parceiros com quem fez várias obras –, o cineasta alemão cria uma imagem do decadentismo repleta de luzes difusas e brilho.  
 
A investigação da tênue relação entre história e propaganda é a tônica de Lili Marlene. Fassbinder, repleto de humor e cinismo, como sempre, traça o percurso de sua protagonista como um espelho da narrativa histórica, gerando uma imagem um tanto deformada, talvez por isso mesmo, reveladora.

Alysson Oliveira


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