Vida Selvagem

Vida Selvagem

Ficha técnica


País


Sinopse

O casamento de Jeanette e Jerry vive turbulências que se acentuam quando ele sai de casa atrás de um trabalho arriscado. Acompanhada de seu filho adolescente, ela tenta refazer sua vida.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/04/2021

Paul Dano sempre foi um ator interessante, que constrói personagens de maneira sutil. Sua força na tela surge de maneira quase imperceptível – basta ver Sangue negro, em que fica lado a lado com Daniel Day-Lewis e fica praticamente à mesma altura. Por isso, não é surpresa que sua estreia como diretor, Vida selvagem, seja mais ou menos da maneira como atua: é discreto até que explode. E nessa explosão Carey Mulligan brilha como nunca.
 
Baseado num romance de Richard Ford – com roteiro adaptado por Dano e Zoe Kazan, sua mulher –, o filme é situado numa região repleta de florestas em Montana, numa época do ano em que, devido à seca, o fogo se alastra com facilidade, requerendo muitos homens para o apagar. Como muita gente está desempregada, eles trabalham por um mísero dólar por hora. Jerry (Jake Gyllenhaal) é um deles, e abandona a mulher, Jeanette (Mulligan), e o filho de 14 anos, Ed (Ed Oxenbould), na casa para onde acabaram de mudar, para, como diz, “sentir-se útil”.
 
A época é o começo dos anos de 1960, e a sociedade da década anterior ainda é um peso forte sobre os personagens. A revolução sexual, a Guerra do Vietnã, Woodstock, tudo isso estava longe. Mas Jean, como é chamada, assume o comando da família na ausência do marido. o casamento entra em crise, especialmente quando ela conhece Warren (Bill Camp), um de seus alunos de natação.
 
O filme é narrado pelo ponto de vista de Ed, abordando a perda da inocência de um garoto de 14 anos, descobrindo que o mundo (e a vida a dois) não é exatamente como ele pensava. Em Oxenbould, o filme encontra um ator que responde à altura das necessidades do personagem. Ele pouco fala e muito observa. As mudanças ao seu redor são rápidas demais para ele processar o que está ocorrendo e, quando consegue, pode ser devastador para ele.
 
Na superfície, Vida Selvagem é quase um drama convencional, muito bem atuado e muito perspicaz em seu retrato da vida numa cidade pequena dos EUA na época. Mas Dano, como não podia deixar de ser, de forma discreta, se revela um diretor promissor. A paleta de cores em tons pastel – assinada pelo uruguaio Diego García, de Boi Neon e Cemitério do esplendor – estão no limite da inocência que vai sendo consumida, como a floresta pelo fogo. Há um quê de claustrofóbico aqui, e os personagens parecem presos a uma vida da qual precisam se libertar – sufocados até.
 
Se Gyllenhaal fica fora de cena boa parte do filme, é Mulligan quem domina o filme. Como sua personagem é sempre vista pelos olhos do filho, há algo de um Édipo contidamente apaixonado pela mãe – talvez porque ela é a única mulher que conhece. Ela o trata como adulto, apesar do lado materno forte, e a relação deles é peculiar. Todos eles estão, na verdade, como a sociedade americana daquele momento, no limite. Uma mudança é inevitável – para eles e para o mundo.

Alysson Oliveira


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