Senhora Stern

Senhora Stern

Ficha técnica


País


Sinopse

Viúva e quase nonagenária, a sra. Stern vive em Berlim num apartamento, tocando sua rotina independentemente de sua filha única. Ela se dá bem com a neta e com seus amigos jovens e não têm maiores problemas de saúde. Ainda assim, pôs na cabeça que quer decidir como e quando vai morrer.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/04/2021

Interpretada com uma naturalidade desconcertante por Ahuva Sommerfeld, a protagonista desta história transmite uma verdade inusitada por suas atitudes singulares para encarnar a velhice. Nenhum resquício de piedade percorre este filme, escrito e dirigido pelo alemão Anatol Schuster, que extrai um sabor particularmente vívido das interações de sua protagonista, a sra. Stern, perto de completar 90 anos.
 
Para ela, a idade é um fardo. Desde as primeiras sequências, ela declara abertamente seu desejo de morrer - apesar de seu médico garantir que ela tem uma saúde de ferro. As motivações de uma vida que se fez longa, para ela, mostram-se escassas - ela é viúva de seu grande amor e uma sobrevivente do Holocausto, em que perdeu toda a sua família.
 
Ela vive sozinha, tendo como ligação afetiva mais próxima a da neta, Elli (Kara Schröder), com quem compartilha um espírito de liberdade e transgressão. Até seu desejo de morrer pode ser lido dentro deste quadro - a rigor, esta senhora não parece depressiva, nem desinteressada dos pequenos prazeres da vida. Muito prática e franca, apenas quer decidir como e quando partir deste mundo, em que ela já conheceu tantas tragédias e não parece ver muito sentido em continuar.
 
Com os jovens amigos da neta, no entanto, a senhora Stern está à vontade - parece mais um deles. Fuma, bebe, dança e um dia é até convencida a cantar num karaokê sua canção favorita - Summertime, ao qual ela dá uma interpretação que diz muito sobre quem ela realmente é.
 
O roteiro, também assinado pelo diretor Schuster, garante pequenas aventuras a esta idosa singular, criando incidentes em torno de seus desejos, seja experimentar drogas  ou conseguir uma arma. Também se encontram maneiras de ir contando ao espectador quem é esta mulher sem renovar os clichês habituais em filmes sobre pessoas mais velhas. A senhora Stern, em vários sentidos, é única. E suas reações aos diversos personagens à sua volta, seja sua filha um tanto careta (Nirit Sommerfeld), seja um jovem cabeleireiro que vem cortar seu cabelo em casa, ou um jovem casal espertinho mostram que ela é tudo, menos indefesa ou incapaz. 
 
Na sequência final, que envolve um programa de TV, a protagonista tem chances de, mais uma vez, surpreender – e o filme, de dizer algo sobre a espetacularização da vida. É neste segmento também que ela entrega o que pensa sobre tudo o que viveu no Holocausto, compondo uma personagem de uma complexidade ainda maior. À chegada, Senhora Stern é muito mais do que parecia no início e Ahuva Sommerfeld torna-se alguém que não esqueceremos facilmente, ainda mais porque não teremos novas oportunidades. Esta foi a primeira e única atuação desta fascinante mulher nascida em Jerusalém em 1937 e que morreu em 2019, em Berlim.

Neusa Barbosa


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