Culpado por Suspeita

Culpado por Suspeita

Ficha técnica


País


Sinopse

No começo dos anos de 1950, o ambicioso cineasta David Merrill volta aos EUA depois de uma temporada na Europa, e encontra Hollywood tomada pela paranóia reacionária do macartismo. Para conseguir trabalhar, ele deveria delatar amigos, mas ele se recusa.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/04/2021

Quando o roteirista e diretor Abraham Polonsky escreveu Culpado por suspeita, o personagem central, um cineasta, era um comunista investigado por atividades antiamericanas no começo dos anos de 1950. Porém, Irwin Winkler, produtor que estreava no roteiro e direção, reescreveu o filme, transformou o protagonista em apenas um liberal bem intencionado, acusado de algo que ele não cometeu, baixando assim a voltagem do filme e modificando a trama radicalmente – tanto que o autor original pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos. Embora seja um dos primeiros longas de cinema a tratar do assunto, aqui se cai num campo mais genérico ao destituir o personagem de um envolvimento político mais denso.
 
Robert De Niro interpreta o diretor fictício David Merrill, queridinho do todo-poderoso produtor Darryl Zanuck (Joe Piazza), ambicioso e tão apaixonado pelo cinema que a mulher, Ruth (Annette Bening), não aguentou mais ser trocada pela câmera tantas vezes que acabou se separando, embora mantenham a amizade por conta do filho pequeno.
 
O filme começa com a volta dele a Hollywood, em 1951, depois de uma temporada na França. Logo ele percebe que atmosfera agora é outra, que uma paranoia reacionária tomou conta. Porém, para que possa fazer seu próximo filme, Zanuck pede que ele coopere com o comitê que investiga atividades antiamericanas, especialmente envolvimento com o Partido Comunista. O diretor tem, em seu histórico longínquo, umas duas ou três reuniões das quais participou no partido, mas nada mais sério – ele é, no fundo, bem apolítico.
 
Ele se recusa, e começa a perder tudo o que lhe é mais caro, em outras palavras, não consegue mais dirigir um filme, a menos que dedure colegas. Merrill tem crises de consciência, mas não cogita entregar colegas. Provavelmente, o roteiro escrito por Polonsky – que esteve na lista negra – era mais denso, as crises do personagens mais críveis. Aqui, é fácil perceber como o protagonista lidará com a questão, e, assim, suas crises não parecem tão profundas como poderiam ser.
 
O filme é frio e um tanto impessoal, por mais que o assunto retratado seja explosivo, mesmo no começo dos anos de 1990, quando foi feito, até hoje. Os atores estão apenas corretos, e Benning tira o máximo que pode de uma personagem rasa, cuja função é ser a ex-esposa generosa e paciente. Culpado por suspeita perde a chance de fazer uma homenagem sincera àqueles e àquelas cujas carreiras e vidas foram destruídas pela perseguição política. Ao final, é só um filme bem intencionado, mas limitado a isso.

Alysson Oliveira


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