Laura

Laura

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando a jovem Laura é assassinada com um tiro no rosto, entra em cena o detetive Mark McPherson. Sua investigação, porém, esbarra em provas falsas e reviravoltas, dificultando a descoberta do assassino.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/04/2021

Laura, como boa parte dos filmes noir, tem uma resolução que soa quase como um deus ex-machina. O assassino poderia ser qualquer pessoa, e ainda assim seria plausível. A graça, no clássico de Otto Preminger de 1944, não está em descobrir em quem cometeu o crime – até porque o crime em si já sofre uma reviravolta na metade do longa –, mas acompanhar uma investigação tão arbitrária quando a identidade do criminoso.
 
Com roteiro baseado no romance homônimo de Vera Caspary, Laura poderia ser um noir esquecível e rasteiro. Mas Preminger imprime as tintas de uma seriedade e profundidade que não pertencem ao filme, transformando-o em algo além do que realmente é. A personagem-título – interpretada por Gene Tierney – é assassinada com um tiro em seu rosto em seu apartamento, que a deixa desfigurada. Entra em cena o tenente-detetive Mark McPherson (Dana Andrews), que irá investigar o caso.
 
A primeira pessoa que ele vai inquirir é um escritor e colunista de fofocas, Waldo Lydecker (Clifton Webb), que, dono de maneiras excêntricas, se auto-convida para acompanhar o investigador, porque se interessa pela reação dos investigados – todos da alta sociedade. Já seria estranho o bastante, um suspeito acompanhado o investigador, mas o filme não se importa com isso. Entre as pessoas procuradas, estão o noivo da vítima, Shelby Carpenter (Vincent Price), e uma amiga próxima (Judith Anderson), que reconheceu o cadáver.
 
O roteiro, conforme a investigação avança, deixa a plausibilidade de lado e mergulha num emaranhado de intrigas e enganos, que envolve uma personagem tão isolada numa casa de campo que nem soube do crime. Seguem-se vários eventos que, no mundo real, são implausíveis. Mas Laura, como se percebe a certa altura, não se passa no mundo real, mas numa realidade intrínseca e exclusiva ao filme, e, assim, tudo ali faz sentido porque seu mundo é próprio e está à mercê de seus criadores.
 
Diz a lenda que Daryl F. Zanuck, dono do estúdio que bancou o filme, não queria Preminger como diretor, apenas produtor, e entregou a direção a Rouben Mamoulian. Mas as primeiras cenas se mostraram um desastre, e então Preminger conseguiu o posto que desejava, reescrevendo o roteiro, e refilmando várias cenas. Também teve que brigar pelo final que queria, e só conseguiu quando um colunista de fofocas real, Walter Winchell, disse que não tinha entendido nada da outra resolução da trama. Mesmo com todo o esforço do diretor, Laura é artificial, superficial e, muitas vezes, sem pé nem cabeça, com personagens pouco verossímeis - mas é exatamente isso tudo isso que torna o filme grande.

Alysson Oliveira


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