Medeia por Consuelo de Castro

Medeia por Consuelo de Castro

Ficha técnica


País


Sinopse

Combinando elementos do cinema e do teatro, parte-se do texto da dramaturga brasileira Consuelo de Castro, que faz uma releitura do clássico grego de Eurípides, trazendo uma dimensão mais política à história da mulher que, trocada pelo seu marido, busca vingança.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/04/2021

Era o começo de 2020, quando a companhia de teatro BR 116 pretendia montar a versão da dramaturga brasileira Consuelo de Castro para o clássico Medeia. A pandemia, no entanto, obrigou a trupe a mudar seus planos, mas não a abandoná-los. Assim, de uma maneira híbrida, combinando recursos de cinema e teatro, o grupo, liderado pela atriz Bete Coelho, transformou a peça naquilo que chamaram de teatrofilme.
 
Assistir a Medeia por Consuelo de Castro em streaming é, obviamente, uma experiência diferente de vê-la no palco, mas não menos interessante. A direção, assinada por Coelho e Gabriel Fernandes, vale-se de recursos visuais e sonoros que uma montagem convencional não conseguiria utilizar. Assim, a obra ganha novos significados de texturas, a partir de sobreposições de imagens, jogos de espelhos, entre outras coisas.
 
A trama, reescrita por Consuelo de Castro, e originalmente montada em 1997, segue quase de perto a versão clássica de Eurípedes, da mulher traída que se vinga do marido, porém, com algumas mudanças – em especial no clímax e na resolução. Além disso, a dramaturga acrescentou à peça um subtexto político bastante forte que não era tão evidente no original. Medeia (interpretada por Coelho) é vítima de uma armação política, mais do que amorosa. Jasão (Flavio Rocha), mais do que abandoná-la por outra mulher, troca-a por uma aliança com o rei Creonte (Roberto Audio), que lhe garante um posto de destaque no exército, ascensão política, e uma mulher mais jovem, a filha do monarca, Glauce (Luiza Curvo).
 
Do teatro, Medeia por Consuelo de Castro se vale da encenação, da disposição num palco e da ocupação deste – em especial pela personagem-título. No entanto, é do cinema que o teatrofilme mais tira força, com seus closes no rosto sofrido da protagonista, e seus jogos de cena em diálogos com os personagens. Coelho, que é uma grande atriz, leva o furor do palco para a tela sem qualquer perda. Sua Medeia é uma mulher forte e consciente de seus atos, num embate que vai além do mero ciúme pessoal, ganhando contornos políticos.
 
Medeia por Consuelo de Castro pode ser qualquer coisa menos teatro filmado – uma expressão que, geralmente e, muitas vezes, erroneamente, se usa para diminuir uma obra. É uma fera que combina teatro e cinema de maneiras próprias e peculiares, reinventando-se e permitindo que um público bem maior tenha acesso à obra.

Alysson Oliveira


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