The Girl

The Girl

Ficha técnica


País


Sinopse

Erzsi tem 24 anos. Cresceu num orfanato em Budapeste e agora trabalha numa tecelagem. O reencontro com a mãe que a abandonou transforma sua vida e a torna uma pessoa mais livre.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

31/03/2021

A cineasta húngara  Márta Mészáros declarou, em entrevista, que rejeita ser chamada de feminista, “porque isso é uma filosofia. E eu sou apenas uma mulher que faz filmes e acredita que as mulheres têm o direito de existir da mesma maneira que os homens.” Ela pode rejeitar o rótulo, mas é inegável que seus filmes carregam um feminismo intrínseco ao trazer ao centro personagens femininas em busca de seus sonhos e aspirações, ou querendo apenas “existir da mesma maneira que os homens”.
 
The Girl, de 1968, deixa tudo isso bem claro. Primeiro longa de ficção da diretora, tem como protagonista uma jovem chamada Erzsi (Kati Kovács), que cresceu num orfanato e agora trabalha numa tecelagem. Depois de um almoço na instituição onde foi criada, ela revela a uma amiga que encontrou a mulher que pode ser sua mãe, e irá visitá-la.
 
A possível mãe vive no campo com o marido e dois filhos, e diz que apresentará Erzsi como uma sobrinha que veio de Varsóvia. A jovem, obviamente, se torna uma estranha ali. Um dos conflitos que o filme, também roteirizado por Mészáros, irá explorar é entre a tradição e a modernidade. Naquele ambiente rural há uma televisão – algo raro na época na Hungria –, na qual a família, inclusive a protagonista, assiste a um concurso de beleza na Inglaterra. No dia seguinte, durante uma festividade, o conflito torna-se ainda mais claro. Na volta para Budapeste, a protagonista conhece um homem no trem e decide ir para a casa dele.
 
Mészáros cresceu no Quirquistão, quando seus pais foram exilados na União Soviética, ambos artistas e comunistas. O pai era um escultor e foi executado em 1945, por continuar seguindo um comunismo pré-stalinista. A mãe morreu pouco depois, e então, depois de passar por um orfanato, ela acabou adotada e foi morar na União Soviética. Provavelmente por isso, em sua obra, a sensação de abandono é constante – não apenas por familiares, mas também pelo Estado. Em The Girl, Erzsi está em busca de liberdade. É uma alma livre aprisionada numa sociedade estruturada para silenciar e esmagar mulheres. Kati Kovács, sua intérprete, era uma jovem artista pop em ascensão quando a interpretou.
 
A diretora constrói seu filme nos detalhes. É como uma miniatura em que ela introduz cada vez mais elementos que parecem aleatórios, mas que são camadas que se acumulam sobre o objeto que estuda – no caso, Erzsi. O resultado é um filme curto, de menos de 90 minutos, mas que tem muito a dizer. Com um tom quase documental, que observa de longe sem fazer julgamentos, o longa é um retrato de uma sociedade à beira de transformações.

Alysson Oliveira


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