Meu Pai

Ficha técnica


País


Sinopse

Anthony é um homem de 81 anos, que vive sozinho num grande apartamento em Londres. Ele rejeita sistematicamente as tentativas da única filha, Anne, de encontrar-lhe uma cuidadora para ajudá-lo. Isto se torna dramático quando a filha pensa em mudar-se para Paris.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

31/03/2021

Mesmo sendo uma das raras unanimidades que se podem considerar nada burras - pedindo licença pela exceção a Nelson Rodrigues -, Anthony Hopkins há algum tempo não vinha brindando seu público com uma interpretação tão incandescente quanto a que entrega no drama Meu Pai.
 
Responsável por um dos dois Oscar conquistados pelo filme do francês Florian Zeller, Hopkins percorre uma infinidade de nuances para encarnar um homônimo, Anthony, homem de 81 anos que vive sozinho num grande apartamento em Londres. Boicotando sistematicamente a contratação de cuidadoras, ele preocupa a única filha, Anne (Olivia Colman, também indicada ao Oscar), que, neste momento, encontrou um novo amor e pensa em mudar-se para Paris.
 
O grande diferencial do filme, que parte de uma peça de Christopher Hampton (premiado, ao lado de Zeller, com o Oscar de roteiro adaptado), está em assumir o ponto de vista de Anthony, confrontado com o avanço do mal de Alzheimer. Esta opção coloca o espectador na pele do personagem de uma maneira pungente, porque permite compartilhar o absoluto estado de perplexidade e medo que passa a acometer Anthony, quando ele começa a ver pessoas que ele não mais reconhece em sua esfera íntima. E nunca há um dia igual ao outro. Amanhã pode ser que os estranhos tenham partido e tudo esteja como ele sempre conheceu.
 
Não é simples sustentar esta atmosfera de ambiguidade, porque, de início, também ao espectador não se dá o mapa da situação. Quem será realmente Anne? Ou seu marido? E esta cuidadora, Laura (Imogen Poots)? É neste jogo de reconhecimento e insegurança que o filme constrói seu doloroso dilema e permite, como talvez nenhum outro, compreender a enorme tragédia que representa o Alzheimer na vida de alguém que sempre foi autônomo e pôde cuidar da própria vida.
 
Há um bom tempo entregue a papeis certamente lucrativos mas não desafiadores de seu enorme talento - como o Odin da trilogia sobre o herói Thor -, Hopkins cresce em cada detalhe de gesto, olhar e tonalidades de voz, injetando uma verdade de corpo e alma ao seu atormentado personagem. Não há como desgrudar os olhos dele e de suas reações à vulnerabilidade diante da perda de controle de sua vida - que é capaz de suscitar uma enorme empatia. Esta é, afinal, a função da arte, sobretudo em tempos obscuros. 
 
O elenco à volta de Hopkins, que inclui Olivia Williams, Rufus Sewell e Mark Gatiss, funciona a contento, girando em torno deste verdadeiro sol que é Hopkins no pleno domínio de seu talento. 
 

Neusa Barbosa


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