Small Axe: Educação

Small Axe: Educação

Ficha técnica


País


Sinopse

Kingsley é um garoto de 12 anos, que, durante uma aula, causa confusão na escola. Sua mãe é chamada pela direção, e lhe é sugerido matricular o menino numa instituição para crianças com "necessidades especiais". A nova realidade só mostrará ao menino que existe uma política de segregação racial não-assumida na Inglaterra.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/03/2021

Small Axe é um projeto altamente pessoal do diretor inglês Steve McQueen, que levou mais de uma década para sair do papel. Cada um dos cinco filmes é uma pequena joia por si só. Neles, o cineasta, que também assina o roteiro com o músico e escritor Alastair Siddons, faz um vasto painel da experiência dos descendentes dos afroantilhanos na Londres dos anos de 1960 até o começo da década de 1980. Educação é o último filme da antologia – embora não precisem ser vistos em qualquer ordem, são independentes. Talvez seja o menos comentado, mas é um dos mais pungentes num projeto repleto de pungência.
 
Educação poderia muito bem ser o nome da série, que, em seu conjunto, investiga o processo social e histórico de assimilação dos jovens estrangeiros ou descendentes deles numa cultura distante da sua, e, acima de tudo, pautada pelo racismo. Haja vista que o protagonista é um garoto de 12 anos, torna-se, assim, um filme acessível às crianças, pois também lida com um assunto que lhes é caro: a vida cotidiana na escola.
 
Kingsley (Kenyah Sandy) é um garoto como outro qualquer na escola, ou, ao menos, tenta ser. Porém, as coisas não vistas assim pelos olhos de outras pessoas. Quando o menino faz algo jocoso na aula de música, é mandado para a direção da escola, que recomenda à mãe dele, Agnes (Sharlene Whyte), que o menino seja matriculado numa escola que atenda às suas “necessidades especiais”.  A questão que fica clara desde o começo do incidente é: se fosse uma criança branca, receberia um punição bem mais branda e continuaria na escola.
 
O menino vem de uma família de trabalhadores. A mãe atua como enfermeira durante a noite, e faxineira, no dia. O pai trabalha para o metrô de Londres. Kingsley sempre briga com a irmã mais velha, Stephanie (Tamara Lawrance), mas os dois se gostam ao seu modo. O menino sonha em ser astronauta, mas também jogador de futebol. Apesar da idade, ele tem bastante dificuldade para ler, e isso serve como a desculpa perfeita para ser expulso da escola – embora as coisas não se deem nesses termos.
 
Na nova instituição, o garoto não faz amigos, não se enturma, e pouco importa aos professores que as crianças aprendam alguma coisa. Deslocado, Kingsley pergunta à inspetora o que deveria fazer no intervalo, e ela o manda “balançar numa árvore, como costumava fazer em sua terra.” As crianças, cada uma com suas dificuldades de aprendizado, são entregues à própria sorte. Uma menina, por exemplo, se comunica apenas com sons que se assemelham a latidos.
 
O título, no entanto, talvez não se refira exclusivamente à experiência de Kingsley na escola, mas à tomada de consciência de sua mãe, que é surpreendida ao se descobrir num sistema que pouco se importa com a educação do filho – na verdade, pouco se importa com o menino e a família toda. Ao lado de pais e mães como ela, descobrirá como o sistema educacional é desenhado de modo a silenciar seus filhos e filhas.
 
Dos cinco filmes, esse é o menos preocupado com estética – embora, é claro, exista sofisticação formal: Shabier Kirchner, diretor de fotografia dos cinco filmes, usa um tipo de imagem que evoca o 16mm típico da época –, e, em termos de narrativa, é o mais direto. A economia nesse sentido torna-o ainda mais forte, aproximando-o ainda mais de seu público. O filme é uma celebração da herança identitária das personagens, e de todos e todas afrocaribenhas. É como se McQueen encerrasse a série numa nota mais positiva, mas, sem se esquecer de que a secretária de Educação na época em que a história se passa era Margareth Thatcher.

Alysson Oliveira


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