O Refúgio

O Refúgio

Ficha técnica


País


Sinopse

O ambicioso Rory se envolve num empreendimento que obriga sua família mudar dos Estados Unidos para a Inglaterra. Eles se instalam numa luxuosa mansão gótica do século XIX. Porém, a nova vida expõe fraturas na aparente perfeição familiar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

29/03/2021

O Refúgio é um drama, mas poderia ser um filme de terror. Poderia haver uma entidade metafísica rondando as personagens como causa do mal-estar que as consome. Mas não, o diretor e roteirista Sean Durkin estrutura seu segundo longa como um drama elegante e sofisticado sobre a implosão de uma família rica anglo-americana que muda de Nova York para Surrey, no sudeste da Inglaterra, país natal do patriarca do clã, Rory (Jude Law).
 
Ele se muda com sua mulher americana, Allison (Carrie Coon), o filho adolescente Ben (Charlie Shotwell) e a enteada, Sam (Oona Roche), um pouco mais velha do que o garoto. A família faz um esforço para acompanhá-lo, uma vez que “apareceu uma oportunidade” para ele. Rory diz não fazer diferença entre os dois, mas menino é mandado para a melhor e mais cara escola, enquanto a jovem, para um colégio mais ou menos. Não custa muito e a esposa sente que as coisas não estão muito bem.
 
O Refúgio é um título que registra uma ambiguidade, pois a mansão gótica do século XIX onde vão morar tem pouco de convidativa e confortável, apesar de luxuosa. Parece assombrada por fantasmas que consomem a sanidade, especialmente de Allison, cuja grande paixão são cavalos. Existe uma tensão muito grande entre ela e o marido, que é extremamente controlador, mas em quem ela parece confiar cada vez menos.
 
O período em que Durkin, um inglês que cresceu nos EUA, situa o filme são os anos de 1980, período de completa desilusão dos ideais dos anos de 1960, uma ressaca cada vez mais alimentada pelo neoliberalismo em ascensão. As oportunidades pareciam existir apenas para esse yuppie de origem inglesa, excluindo sua família que se desintegra cada vez mais.
 
A fotografia é assinada pelo húngaro Mátyás Erdély, conhecido por seu trabalho em O Filho de Saul, um filme composto apenas de closes. Aqui, ele e Durkin constroem uma espécie de gramática do estranhamento, mantendo-nos sempre a uma certa distância – exatamente o oposto da câmera colada ao corpo dos personagens do outro filme. Tudo nos soa como estranho aqui – mesmo sendo completamente comum. As cenas de Allison com seu cavalo caríssimo parecem que a qualquer momento serão interrompidas por uma figura maligna, por exemplo.
 
Como em sua estreia, Martha Marcy May Marlene, Durkin mostra-se um diretor seguro e sofisticado, capaz de armar um drama repleto de personagens com densidade psicológica, e uma trama misteriosa que se sustenta sem abalos, especialmente com as atuações irrepreensíveis de Law e Coon.

Alysson Oliveira


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