Siron: Tempo Sobre Tela

Ficha técnica


País


Sinopse

Siron Franco é um dos principais artistas plásticos do país. Este documentário impressionista resgata sua trajetória com depoimentos e imagens suas de arquivo, além de outras captadas pelos diretores André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos nas últimas décadas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/03/2021

Filmes sobre artistas plásticos – especialmente documentários – tendem a incorporar a estética do retratado, e isso sempre é risco, pois a capacidade de cair numa caricatura é sempre maior do que transformar a apropriação em algo orgânico à forma cinematográfica. Siron: Tempo sobre tela felizmente consegue muito bem tomar para si a forma peculiar da arte do goiano Siron Franco, um dos maiores pintores brasileiros.
 
Dirigido pela dupla André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos, o documentário combina imagens recentes, antigas, outras de arquivo do próprio Siron e entrevistas com ele. A mistura de tudo se dá de maneira fluida na montagem sagaz de Danilo do Valle. No ano 2000, os diretores estavam em Londres, quando foram comissionados a filmar o pintor, na época fazendo uma série de quadros sobre a cidade sob encomenda de um colecionador. E aí está a gênese do longa, que, em quase duas décadas, expandiu seu escopo.
 
Acompanhamos o processo de trabalho de Siron, ao longo dos anos, enquanto o artista reflete sobre sua trajetória e influências. Não é objetivo do documentário elucidar de onde e como vem a arte do pintor – até porque isso nem sempre é um processo consciente –, mas jogar uma luz sobre processos criativos como um reflexo histórico e social. “Eu sou selvagem. [...] Ser selvagem é fazer o que o teu coração te pede, e não aquilo que a sociedade, ou seu pai, sua mãe te pede”, diz o artista em uma entrevista antiga no longa.
 
Em certo sentido, é essa selvageria artística que Siron: Tempo sobre tela tenta capturar. Um homem das artes que não descansa, que pensa sobre o passado e o presente, e transforma em sua arte. Vemos o pintor em seu ofício, comentários em off falam sobre sua arte, mas resistem em explicar o que quer que seja. Essa é uma das grandes sacadas do filme. Explicar seria reduzir, seria impor interpretações, e isso estaria muito distante do próprio pensamento do artista.
 
Os diferentes formatos de captação de imagem – que incluem um riquíssimo acervo de Siron com quase 200 fitas de VHS e Super-8, mini-DV, entre outros – acrescenta texturas ao filme, assim como um diálogo entre passado e presente, entre modernidade e pós-modernidade, refletindo a variedade da produção de Siron, que inclui instalações além das pinturas. É preciso levar em conta também que o próprio artista é um ótimo contador de histórias, e seus depoimentos são claros e reveladores. “Minha vida é assim, sempre tragédias em minha volta. E sempre a arte me salvando. Impressionante”, diz, enquanto as imagens mostram algum momento de sua carreira, no passado, esfregando tinta com as mãos sobre uma tela.

Alysson Oliveira


Trailer


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