Não é Um Filme Caseiro

Não é Um Filme Caseiro

Ficha técnica

  • Nome: Não é Um Filme Caseiro
  • Nome Original: No Home Movie
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Bélgica
  • Ano de produção: 2015
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 115 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Chantal Akerman
  • Elenco:

País


Sinopse

Nesse documentário, Chantal Akerman filma a vida cotidiana no apartamento onde mora com sua mãe, uma judia polonesa sobrevivente de Auschwitz. As duas conversam francamente sobre o passado e o presente.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/03/2021

Filmes caseiros são conhecidos por seu interesse limitado. Parentes e amigos assistem mais por educação do que curiosidade. Não é um filme caseiro é um título ambíguo para o último documentário da cineasta belga Chantal Akerman, morta em 2015, mesmo ano em que o longa foi lançado. Em certa medida, esse é um filme caseiro, feito inteiramente no apartamento que a diretora dividia com a mãe, Natalia, uma polonesa sobrevivente de Auschwitz, que morreu em 2014.
 
Ao longo de sua carreira, Akerman tornou-se quase uma especialista em pintar miniaturas de mulheres oprimidas lidando com um sistema estruturado para as silenciar e explorar ainda mais. Jeanne Dielman, de 1975, sua obra-prima de mais de 200 minutos, é um exercício de paciência e recompensa para o público, ao captar a apatia da protagonista em forma de filme. Aqui talvez não seja muito diferente: o que está diante da câmera é um retrato doméstico de duas mulheres lidando consigo mesmas e uma com a outra, além do passado.
 
A mãe é uma figura tranquila, que foi, de certa forma, apresentada ao cinema em 1977, quando a cineasta realizou outra obra-prima: o documentário Notícias de Casa, no qual, de volta a Nova York, ela lê cartas que sua mãe lhe mandou quando a diretora era uma jovem morando nos EUA, anos antes. Nessa correspondência, acompanhamos o cotidiano da família, coisas simples, como quem casou, quem morreu, os problema domésticos da família Akerman, mas também há um tom ligeiramente manipulativo. Por isso, reencontrar essa mulher quatro décadas depois é revelador.
 
Ao captar imagens de seu cotidiano com a mãe, em um apartamento em Bruxelas, com uma câmera digital de baixa resolução, Akerman traz um tom de intimidade ao longa, aproxima-o do espectador. É como se realmente nos mostrasse um filme caseiro sem grandes acontecimentos, mas de grande interesse em sua capacidade de revelar a relação entre a mãe e a filha, e de Natalia com o passado. Ao captar tanto sobre sua mãe e imagens dela, a diretora a imortalizou.
 
Quando Natalia está na casa de sua outra filha, Sylvaine Akerman, Chantal conversa com ela via Skype, e esses diálogos também são filmados. A intimidade que se constrói no filme é notória, assim como o senso de domesticidade. Para a diretora, parece que dentro de casa – seja aqui, seja em Jeanne Dielman – é onde podemos ser mais autênticos. Nesse sentido, Não é um filme caseiro é um documentário revelador, seja pela intimidade entre mãe e filha, seja pela história de uma mulher com seu doloroso passado, ou as possibilidades do cinema.  

Alysson Oliveira


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