Small Axe: Os nove de Mangrove

Ficha técnica


País


Sinopse

Desde os anos de 1960, o restaurante Mangrove era um ponto de efervescência cultural e política para os filhos e netos de imigrantes africanos e caribenhos em Londres. Um protesto contra o racismo ali acabou com a prisão e julgamento de seus 9 líderes.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/03/2021

No final dos anos de 1960, o restaurante Mangrove, que pertencia a Frank Crichlow (Shaun Parkes), era um ponto de efervescência para a comunidade West Indian, em Notting Hill,  Londres, que compreendia descendentes de caribenhos e africanos. Ao mesmo tempo, o local era visado pela polícia exatamente por sua agitação política, tanto que se começou uma campanha para o fechamento do local usando como desculpa ser um ponto de tráfico de drogas. Com apoio dos Panteras Negras, foi organizada uma manifestação, que aconteceu em 9 de agosto de 1970. Cerca de 800 policiais foram deslocados para reprimir 150 manifestantes, que marcharam até a delegacia local pedindo que deixassem Mangrove em paz. O protesto não acabou bem, e os líderes foram processados. Documentos revelaram que foi uma estratégia da polícia incentivar a violência para desmantelar o movimento negro.
 
O filme de Steve McQueen, Os nove de Mangrove, acompanha esse momento e o julgamento dos lideres indiciados por vários crimes. Depois de considerar inocentes a maioria dos envolvidos, diante das evidências, o juiz Edward Clarke (Alex Jennings) disse que houve racismo dos dois lados. O roteiro, assinado por McQueen, Alastair Siddons e Rebecca Lenkiewicz, dedica uma boa hora do filme para construir o cenário que precedeu o protesto e o julgamento, deixando claro, assim, como cada uma das partes agia naquela ocasião. O longa faz parte de uma série de cinco produções independentes realizada por McQueen, chamada Small Axe.
 
A questão central à qual McQueen investe aqui é o papel do Black Power. Uma coisa fica clara: para além de desafiar as instituições racistas e opressoras, sua função é tomar para si a narrativa dos negros e negras na sociedade. O passado e o presente estão em constante diálogo no filme. Ao abordar um episódio histórico de décadas atrás, o longa joga luz sobre movimentos do presente, revelando que a situação não mudou muito – ou, como se diz em O Leopardo, as coisas precisam mudar para continuarem as mesmas.
 
A Notting Hill do passado, conforme recriada no filme, não tem nada de elegante e chique, como se tornou com a gentrificação ao longo dos últimos anos. Na época, era a única opção onde os West Indians podiam viver em Londres. Isso, entre outras coisas, permite a constituição de um sentido de comunidade para essas pessoas – esse tema também é bem forte em outro filme da série Small Axe, Lovers Rock.
 
Embora não seja exibido em cinemas, Os nove de Mangrove é cinema em sua forma. McQueen não diferencia as duas mídias, e estrutura o filme da mesma maneira que seus longas anteriores – como o oscarizado 12 Anos de Escravidão e As Viúvas – numa narrativa elegante, ao modo clássico, mas com rupturas desconcertantes. O filme se organiza em torno de três figuras centrais daquele momento: Frank, a líder dos Panteras Negras da Inglaterra Altheia Jones-LeCointe (Letitia Wright) e o ativista Darcus Howe (Malachi Kirby). Trabalhando pela primeira vez com o diretor de fotografia Shabier Kirchner, o cineasta constrói imagens evocativas de um passado conhecido.
 
Clique aqui para ler entrevista com Steve McQueen sobre a série Small Axe

Alysson Oliveira


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