Rainha do Mundo

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois de perder o pai e levar um fora, Catherine viaja até a casa de campo de uma antiga amiga. Com o tempo, percebe que as duas não têm muito em comum e estão constantemente em conflito.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/03/2021

Eis mais uma prova – como se ela precisasse disso – do talento imenso de Elisabeth Moss: Rainha do Mundo, filme escrito e dirigido por Alex Ross Perry. Nele, a atriz interpreta Catherine, jovem de temperamento forte. Há algo de Persona, de Ingmar Bergman, aqui, mas também uma forte influência do cinema de arte americano do final dos anos de 1960 e começo da década seguinte (em especial 3 Mulheres, de Robert Altman), com uma certa tendência a psicologizar as personagens, mas também, em especial, de Interiores, de Woody Allen, com toda claustrofobia e sufoco emocional que o filme traz.
 
Catherine é uma mulher à beira de um ataque de nervos, que resolve se exilar por algum tempo numa casa de campo, ao lado de um lago, depois da morte de seu pai e do fim do namoro de anos. A dona da propriedade é sua melhor amiga, Virginia (Katherine Waterston), mas, com o tempo, perceberão que os laços estão mais afrouxados do que imaginavam. Há cerca de um ano atrás, a protagonista fez também uma visita à amiga, mas sua vida era outra. O namoro com James (Kentucker Audley) naquela altura ia muito bem.
 
No presente, Catherine, que foi assistente do pai, um renomado pintor, tenta pintar um retrato da amiga, mas nada dá muito certo. Virginia, por sua vez, deixou de ser uma mulher irritadiça e está flertando com o vizinho, Rich (Patrick Fugit). No passado, a protagonista disse a ela: “Nós deveríamos trocar de lugar uma com a outra e ver como é.” A referência nada gratuita a Persona parece ter se materializado no presente, quando elementos da vida de cada uma aparentemente foram trocados.
 
Obviamente, Perry ainda está longe de Bergman, Altman e Allen, suas influências mais claras aqui, mas, certamente, é um diretor interessante a se acompanhar. Depois desse filme, de 2015, já fez outros dois longas, e, aos poucos, ele se confirma como um diretor de influências altamente literárias também. Seus pequenos flashbacks aqui são como algo proustiano meditando sobre o peso do passado, da recordação no presente.

Alysson Oliveira


Trailer


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