Sertânia

Ficha técnica


País


Sinopse

Sobrevivente da chacina de Canudos com a mãe, Antão vai para S. Paulo, sob a proteção de um militar, que encaminha o garoto para a mesma profissão. Quando a mãe morre, Antão decide voltar às raízes e encontra o cangaço, entrando para o bando do capitão Jesuíno.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/02/2021

O sertão eterno de Guimarães Rosa revive em Sertânia, novo filme do veterano diretor baiano Geraldo Sarno que revisita a própria obra e as suas referências com um frescor de vitalidade. Aos 82 anos, o diretor de Viramundo (1965) e Coronel Delmiro Gouveia (1978) repassa uma das cisões trágicas da identidade brasileira, o choque entre o sertão e a cidade, a partir da história do cangaceiro Antão Gavião (Vertin Moura).
 
Com uma fotografia belíssima, de Miguel Vassy, em preto-e-branco luminoso, não raro estourada muito além do sempre lembrado Vidas Secas (1964), de Nelson Pereira dos Santos, o filme estrutura-se no longo delírio de agonia de Gavião - com direito e repetições que remetem ao atavismo das relações sociais no Brasil, de uma história marcada por cicatrizes de cortes violentos, caso de Canudos, episódio central na vida do protagonista.
 
Sobrevivente, com a mãe (Kécia Prado), do genocídio final de Canudos, em que morreu seu pai, o menino Antão vem com ela para São Paulo, sob a proteção de um militar, que o encaminha para o mesmo destino. Com a morte da mãe, Antão decide retornar às suas raízes, entrando para o bando do capitão Jesuíno (Júlio Adrião).
 
A narrativa é conduzida com a ambição de um diretor que não temeu alternar camadas realistas, contemplando as incursões dos cangaceiros nas cidades, onde se manifesta a ambiguidade das relações do capitão com as elites locais; fantásticas, como a procura de Gavião pelo pai no reino dos mortos (com direito a uma conversa com o pioneiro industrial Delmiro Gouveia, interpretado por Lourinelson Vladmir); e até metafóricas, desnudando o mecanismo da representação ficcional ao mostrar as câmeras e técnicos da produção - o que não deixa de ser uma forma de aproximar os tempos, o da história narrada e o nosso.
 
O próprio diretor tem repetido, em entrevistas, que temia que seu filme não fosse compreendido pelas plateias atuais. A exibição de Sertânia em festivais, como o de Havana, em 2019, de Tiradentes, em janeiro de 2020, nos online Ecrã e Olhar de Cinema, no entanto, lhe deram outra resposta - o filme tem sido calorosamente acolhido. O que demonstra que ele fala ao coração mais profundo, com imagens que perduram na retina e perturbam por encontrar tantas ressonâncias do passado no tenebroso tempo presente.

Neusa Barbosa


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