Berlin Alexanderplatz

Ficha técnica


País


Sinopse

Inspirado no romance homônimo de Alfred Döblin, o filme atualiza para o presente a história de um imigrante de de Guiné-Bissau, Francis, que tenta a sorte em Berlim, mas desce ao inferno ao se envolver com o submundo da cidade.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/02/2021

Pode-se acusar o diretor alemão Burhan Qurbani de tudo, menos covardia. Ele não se intimidou em fazer uma nova adaptação do romance modernista homônimo de Alfred Döblin, Berlin Alexanderplaz, que também serviu de base para a famosa telessérie de Rainer Werner Fassbinder, de 1980. O protagonista, Frank Biberkopf, aqui ganha o nome de Francis, e, ao contrário do cidadão alemão comum, é um imigrante de Guiné-Bissau, interpretado por Welket Bungué (Corpo Elétrico, Joaquim).
 
Da ideia central de Berlin Alexanderplatz é mantida: a descida do protagonista ao inferno. Mas, se Döblin a fazia com suas pirotecnias narrativas e literárias, Fassbinder tomou-a num sentido quase literal, realizando uma série que se torna, a cada capítulo, mais insuportável e que chega a um epílogo brilhante, mas que só se torna assim graças ao tom quase intolerável dos capítulos anteriores. Qurbani traz a trama para os nossos dias, uma proposta interessante que se perde em algum momento ao longo de pouco mais de 3 horas de duração. 
 
Francis deixa-se levar pelo meio que o cerca, envolvendo-se com uma gangue de traficantes que atua nos arredores do parque Hasenheide. O chefão é um gângster veterano, Pums (Joachim Król), e seu faz-tudo é um sujeito com sérias inclinações psicopatas, Reinhold (Albrecht Schuch), que acaba se aproximando do protagonista. Francis, conforme diz uma voz que narra o filme (mais tarde sua dona será revelada), quer levar uma vida honesta, mas um incidente o obriga a pedir ajuda a Reinhold.
 
Há uma batalha muito grande na alma de Francis, depois rebatizado como Franz, entre o bem e o mal, a honra e a perdição, a liberdade e uma prisão, e é o que o leva a se debater. Envolver-se com o crime é perder tudo o que preza, não se envolver parece impossível. Como dito, esse filme é sobre uma descida ao inferno – embora Qurbani, que assina o roteiro com Martin Behnke, subverta algumas coisas –, e o protagonista deverá ceder às tentações. 
 
A fotografia do filme, assinada por Yoshi Heimrath, é toda em tons metálicos e de neon, enquanto a trilha sonora da russa Dascha Dauenhauer é etérea, criando um clima perfeito combinada com a voz feminina que, em sua narração, faz comentários pontuais. No mais, o longa ainda traz um Epílogo, bastante desnecessário, que contribui para enfraquecer o que pode haver de mais potente em Berlin Alexanderplatz.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança