Greater Things

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Ficha técnica


País


Sinopse

Moradores de Tóquio, um casal maduro vive uma casa moderna, de paredes de vidro, como um aquário. Para a capital japonesa se dirige um jovem executivo em busca de um corte radical com sua vida, que acaba morando numa casinha de papelão na rua. O outro personagem rumo a Tóquio é o lutador lituano Marius Zaromski), que vai disputar o título mundial.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/02/2021

Inédito nos cinemas brasileiros, Greater Things é a estreia cinematográfica do artista britânico Vahid Hakimzadeh, abordando o desenraizamento e a solidão, que chega com algum atraso às nossas plataformas. Realizado em 2015, percorrendo alguns festivais - Roterdã, Chicago, Moscou e FICARQ (Festival Internacional de Cine y Arquitetura) - , o filme expande as vivências de quatro personagens de várias nacionalidades que convergem para Tóquio, no Japão.
 
Ali está um casal maduro (Kaori Momoi e Toshinori Kondo), que habitam uma casa moderna, de paredes de vidro, como um aquário - o que torna sua vida possível objeto de observação a partir de fora, como um permanente BBB sem compromisso com espetáculo. Para a capital japonesa se dirige um jovem executivo (Nazan Ardalan) em busca de um corte radical com sua vida entre arranha-céus e reuniões. Finalmente, ele acaba alojando-se numa casinha de papelão na rua, acrescentando à morada despojada alguns confortos, como uma luz.O outro personagem rumo a Tóquio é o lutador lituano Marius (Marius Zaromski), que vai enfrentar o campeão mundial Jack Johnson na disputa do título.
 
A realidade do diretor impregnou a história, especialmente a figura de Marius - como ele, Hakimzadeh lutou em gaiola, apesar de sua formação anterior numa área tão diferente quanto Antropologia, na Universidade de Harvard. Também integrou uma banda gospel que acompanhou Bobby McFerrin. Seu filme de estreia parece mais uma experiência em outra direção, criando dinâmicas entre personagens que nada têm em comum, nem mesmo uma língua. É eloquente, neste sentido, o relacionamento mudo entre a mulher japonesa e o viajante europeu, que a acompanha em jornadas e viagens a que o marido, afinal, se recusa, porque deseja assistir à luta de Marius na própria arena onde ela se desenvolve.
 
Não há uma psicologia muito profunda, nem explicações das motivações destas pessoas que vagam por suas vidas e pelo mundo, ao sabor de desejos passageiros, entre paisagens urbanas high tech que parecem sublinhar uma obscura falta de ligação entre as pessoas e a falta de sentido no que elas procuram. Filmado com apuro, o filme é bastante sensorial, buscando o engajamento dos espectadores para compartilhar a jornada fluida de seus atores. . 

Neusa Barbosa


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